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20/Apr/2026

Preços do milho em baixa no mercado doméstico

Os valores do milho estão pressionados no mercado brasileiro, influenciados pelo aumento da oferta e pela pressão exercida por compradores. A desvalorização do dólar frente ao Real também reforça o movimento de baixa de preço do cereal no mercado spot. No acumulado da parcial deste mês, o Indicador ESALQ/BM&F (Campinas - SP) registra recuo de fortes 4,8%, cotado a R$ 67,01 por saca de 60 Kg, voltando a operar nos patamares de janeiro deste ano. Os consumidores seguem atentos ao avanço da colheita da safra verão (1ª safra 2025/2026), à melhora do clima para o desenvolvimento da 2ª safra de 2026 e à forte queda do dólar, que reduz a paridade de exportação, e, assim, negociam apenas de forma pontual, quando existe a necessidade de recomposição dos estoques ou quando vendedores aceitam patamares menores.

Do lado da venda, parte dos agentes se mostra mais flexível nas negociações, mas ainda encontram dificuldades em comercializar grandes lotes. Nesse cenário, os preços do milho também estão em baixa em importantes regiões, como as produtoras de safra de verão (1ª safra) e que atualmente estão em período de colheita, como Ponta Grossa (PR), Chapecó (SC). Nestas regiões, as baixas são de respectivos 0,4% e 1% nos últimos sete dias no mercado de lotes (negociação entre empresas). As quedas também se estendem para as regiões que já encerraram a semeadura da 2ª safra de 2026 refletindo as desvalorizações no mercado futuro. Em Sorriso (MT), Dourados (MS) e Rio Verde (GO), nos últimos sete dias, os recuos são de 2%, 1,7% e 1%, respectivamente. Nos últimos sete dias, o preço do milho registra baixa de 2,4% no mercado de balcão (preço pago ao produtor) e de 2,5% no mercado de lotes (negociação entre empresas).

Na B3, no mesmo período, o contrato Maio/26 tem forte queda de 4% e o Jul/26, de 3,1%, a R$ 65,89 por saca de 60 Kg e R$ 66,87 por saca de 60 Kg, respectivamente, chegando nos menores patamares desde a abertura do contrato na semana passada. As recentes quedas são influenciadas pela colheita da safra de verão (1ª safra 2025/2026) e pela semeadura da 2ª safra de 2026, além da desvalorização do dólar, que voltou a ser negociado abaixo de R$ 5,00, patamar verificado pela última vez em março de 2024. Entre os dados divulgados pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) na no dia 14 de abril, destaca-se o aumento de 0,6% na produção do milho 2ª safra de 2026 em relação ao mês anterior, principalmente devido às melhoras no Paraná, Maranhão e Ceará, totalizando 109,11 milhões de toneladas, mas ainda 3,6% inferior ao da temporada anterior.

Quanto à safra verão (1ª safra 2025/2026) e à 3ª safra de 2026, as estimativas de produção neste mês foram de 27,96 milhões de toneladas (+12%) e 2,48 milhões de toneladas (-17%), respectivamente. No agregado, a produção em 2025/26 chegará a 139,57 milhões de toneladas, 1,1% inferior à da temporada anterior. A demanda interna soma 94,64 milhões de toneladas, 4% superior à da temporada anterior, e as exportações são estimadas em 46,5 milhões de toneladas. Assim, os estoques finais em janeiro/27 são projetados em 12,81 milhões de toneladas, semelhante às 12,68 milhões de toneladas da safra 2024/25, mas acima da média das últimas cinco safras, que é de 8,67 milhões de toneladas. Dados da Conab apontam que, até 11 de abril, a semeadura da 2ª safra de 2026 chegou a 99,9% da área nacional, restando áreas de Mato Grosso do Sul para serem finalizadas.

Quanto à colheita da safra de verão (1ªs afra 2025/2026), totalizou 55,5% da área nacional no mesmo período. Especificamente para 2ª safra de 2026, em Mato Grosso do Sul, até o dia 10 de abril, a semeadura somava 99,5% da área estimada, conforme aponta a Famasul (Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso do Sul). Para a safra de verão (1ª safra 2025/2026), no Paraná, o Departamento de Economia Rural (Deral/Seab) aponta que 96% da área havia sido colhida até o dia 13 de abril. No Rio Grande do Sul, o retorno das chuvas e as atividades com outras culturas limitaram o avanço da colheita do cereal, que, até o dia 16 de abril, chegou a 86% da área estadual, segundo a Emater-RS. Em Santa Catarina, a colheita somava 96,5% da área até o dia 11 de abril, segundo a Conab.

Nos Estados Unidos, os futuros acumularam alta na semana passada, ainda impulsionados pela demanda internacional aquecida, além das preocupações com a escalada das tensões no Oriente Médio e da melhora do clima nas regiões produtoras deste país, em função do retorno das chuvas. Com isso, nos últimos sete dias, na Bolsa de Chicago, os vencimentos Maio/26 e Jul/26 têm alta de 1% e 0,6%, a US$ 4,48 por bushel e a US$ 4,57 por bushel, respectivamente. No campo, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) indicou que a semeadura chegou a 5% da área estimada para a safra 2025/26 até o dia 12 de abril, acima do percentual médio dos últimos cinco anos, de 4%. Na Argentina, a Bolsa de Cereais de Buenos Aires apontou que a colheita chegou, no dia 16 de abril, a 24,7% da área nacional, com os trabalhos concentrados nos núcleos norte e sul do país. O órgão também elevou sua estimativa de produção para 61 milhões de toneladas, acima das 57 milhões de toneladas estimadas anteriormente. Fonte: Cepea. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.