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20/Apr/2026

Grãos: alívio das tensões EUA-Irã impacta preços

A perspectiva de descompressão do conflito com o Irã derrubou o preço do petróleo e pressionou os mercados de soja e demais commodities agrícolas na sexta-feira (17/04), mas os danos causados à infraestrutura de energia e fertilizantes no Oriente Médio ainda podem sustentar preços em patamar mais alto nos próximos meses. O mercado reage neste momento mais ao reposicionamento financeiro dos investidores do que a mudanças imediatas nos fundamentos. A queda recente do petróleo ajuda a explicar a pressão sobre a soja no curto prazo. Com a percepção de que o conflito caminha para o fim, parte dos recursos que havia migrado para energia, grãos e oleaginosas em busca de proteção contra inflação e escassez começou a sair desses mercados. O barril do petróleo WTI chegou a ser negociado a US$ 80,56 no vencimento mais próximo após novas sinalizações de avanço diplomático, embora tenha reagido depois.

Com o petróleo em queda, o dinheiro saiu também dos mercados de grãos e oleaginosas. Porém, a reação imediata do mercado não elimina os danos já provocados pela guerra. Poços de petróleo e unidades de fertilizantes foram paralisados, e o campo de gás Pars, relevante fornecedor de matéria-prima para a indústria de adubos, sofreu impactos cuja extensão ainda não está clara. Mesmo com um eventual acordo, a recomposição da produção tende a ser lenta. Há estimativas de que a extração de petróleo levaria cerca de duas semanas para voltar a 50% do nível normal e até um mês para atingir 80%, sem garantia de recuperação integral. Houve danos à infraestrutura. Esse é o ponto que pode dar sustentação mais adiante ao complexo soja e a outras commodities agrícolas. Com menor oferta de gás natural, a produção de fertilizantes tende a permanecer limitada por meses ou até anos, o que eleva custos e restringe a disponibilidade global de insumos.

Isso não significa, necessariamente, um novo ciclo prolongado de alta para alimentos, mas pode impedir que os preços retornem aos níveis anteriores ao conflito. No caso da soja e do milho, o impacto imediato sobre a safra norte-americana tende a ser contido, porque boa parte dos fertilizantes já estava posicionada antes da escalada do conflito. Ainda assim, os reflexos sobre custo de produção e uso de insumos podem aparecer adiante, sobretudo em regiões mais dependentes de adubação intensiva e em países com menor capacidade financeira para absorver a alta. O mercado global ainda conta com oferta confortável de soja, milho e trigo, o que limita uma reação mais forte dos preços agrícolas no curto prazo. Por isso, o principal risco ligado aos fertilizantes deve aparecer mais adiante, possivelmente em 2027, quando margens mais apertadas e menor acesso a insumos puderem reduzir a aplicação e a produção em parte do mundo. Esse tema dos fertilizantes é provavelmente mais uma questão para 2027.

No mercado de energia, a eventual reabertura do Estreito de Ormuz e a flexibilização parcial do bloqueio norte-americano ajudam a melhorar o humor dos investidores, mas não resolvem de imediato os gargalos logísticos e operacionais. Ainda não está claro se o Irã continuará exigindo coordenação para a passagem de navios ou impondo algum tipo de custo adicional, ao mesmo tempo em que a normalização dos fluxos marítimos deve levar semanas. Nesse intervalo, faltas pontuais de energia, fretes elevados e interrupções de abastecimento ainda podem se intensificar antes de começarem a ceder, sobretudo na Ásia. O cenário mais provável é o de um acordo em princípio seguido de até 60 dias de negociação técnica para definição dos detalhes. Até lá, o mercado continuará tentando medir o tamanho efetivo da perda de capacidade em petróleo, gás e fertilizantes e seus desdobramentos sobre energia, alimentos e inflação. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.