17/Apr/2026
A expansão do etanol de milho no Brasil enfrenta desafios relacionados à logística e ao acesso a novos mercados, especialmente em um cenário de sobreoferta e pressão sobre margens. A limitação na infraestrutura de transporte já impacta diretamente a rentabilidade dos projetos, com necessidade crescente de investimentos em ferrovias, dutos e frota dedicada. O efeito logístico pode resultar em descontos de até R$ 0,50 por litro no preço do etanol, patamar relevante diante de margens históricas próximas de R$ 1 por litro. Esse cenário reduz a atratividade dos investimentos e pode prolongar o prazo de retorno dos projetos.
No campo da demanda, a ampliação do consumo é considerada essencial para absorver a maior oferta, tanto no mercado interno quanto no externo. A abertura de novos mercados, porém, depende da comprovação de atributos de sustentabilidade do etanol de milho brasileiro, fator determinante para competitividade internacional. O ambiente global apresenta vetores mistos. Preços elevados do petróleo favorecem o etanol, enquanto a instabilidade geopolítica pode dificultar o acesso a mercados e exigir maior coordenação institucional para viabilizar exportações. A diversificação do uso do etanol surge como estratégia central para sustentar o crescimento do setor. A ampliação do consumo além do ciclo Otto, incluindo aplicações no transporte de carga, aviação e geração de energia, amplia o potencial de demanda, embora envolva desafios tecnológicos e regulatórios.
O mercado de transporte rodoviário pesado apresenta oportunidade diante da dependência de importação de diesel, enquanto o setor aéreo se destaca pelo elevado peso do combustível nos custos operacionais, próximo de 40%. A geração de energia a partir do etanol também é apontada como alternativa relevante, sobretudo em regiões com limitações de abastecimento. A consolidação da expansão do etanol de milho dependerá da superação dos gargalos logísticos, do avanço na certificação ambiental e da criação de novas frentes de consumo, em um ambiente de crescente competição global. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.