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16/Apr/2026

Preços do milho seguem firmes no mercado físico

O mercado brasileiro de milho deve continuar dividido entre a pressão do dólar sobre a B3 e a sustentação do físico no curto prazo, enquanto o desenvolvimento da 2ª safra de 2026 segue no radar dos agentes. Os contratos futuros têm reagido mais a fatores externos, ao passo que o mercado disponível mostra maior resistência. Na ausência de um problema climático já materializado, o mercado futuro acaba mais exposto ao dólar e ao ambiente internacional. O clima ainda influencia a formação de preços, mas o principal período de definição da 2ª safra de 2026 está concentrado no fim de abril e começo de maio.

A maior parte do risco está localizada justamente no final de abril, se estendendo um pouco para o início de maio. Se chover bem na segunda metade de abril, a pressão baixista pode continuar, com a expectativa de uma boa safrinha ajudando no abastecimento doméstico. O milho brasileiro enfrenta concorrência externa relevante no curto prazo. Além da predominância dos Estados Unidos no mercado exportador, a Argentina caminha para uma safra muito forte. Do ponto de vista de oferta total da América do Sul, o cenário é um pouco baixista para curto prazo.

Esse quadro reforça a dificuldade de reação dos preços, sobretudo com o dólar em níveis mais baixos. Para o segundo semestre, porém, não se descarta uma mudança de direção caso surjam problemas na safra norte-americana ou maior interesse externo pelo milho brasileiro. Se houver problemas no desenvolvimento da safra norte-americana, o mercado internacional vai preferir originar milho do Brasil, o que pode ser um fator de alta. Por enquanto, no entanto, o viés segue condicionado à confirmação do clima sobre a 2ª safra de 2026 e à dinâmica do câmbio.

No Paraná, na região de Cascavel, o foco começa a convergir decisivamente para 2ª safra de 2026. A melhora do potencial produtivo após as chuvas recentes motiva o produtor a liberar estoques remanescentes do ano passado, que ainda são volumosos, para evitar quedas mais acentuadas adiante. As indicações de fábricas de ração no spot estão entre R$ 60,00 e R$ 61,00 por saca de 60 Kg FOB, enquanto o produtor mais resistente ainda mira até R$ 64,00 por saca de 60 Kg FOB.

Para 2ª safra de 2026, tradings indicam R$ 64,00 por saca de 60 Kg CIF Porto de Paranaguá, equivalente a entre R$ 53,00 e R$ 54,00 por saca de 60 Kg FOB no interior, níveis que ainda não geram liquidez para exportação. No entanto, o setor de proteínas do oeste de Santa Catarina tem participado de forma mais agressiva para garantir o abastecimento futuro. Os produtores começam a ceder nas pedidas para destravar negócios com o mercado interno.

Em Mato Grosso, na região de Primavera do Leste, o mercado de milho disponível está praticamente sem demanda. As fábricas locais ainda estão abastecidas, e fazem aquisições discretas para maio e junho a R$ 48,00 por saca de 60 Kg FOB. Para 2ª safra de 2026, os exportadores indicam R$ 47,00 por saca de 60 Kg FOB, para embarque e pagamento em agosto. Tanto o mercado disponível quanto o futuro estão com preços considerados baixos que não estimulam negócios. A ausência de um risco climático no Estado ou de um câmbio mais favorável impede qualquer reação altista nas cotações no curto prazo.