16/Apr/2026
Segundo o Itaú BBA, o mercado de milho passa a incorporar com maior intensidade os fatores relacionados à safra 2026/27, com destaque para a redução de área nos Estados Unidos e o encarecimento dos insumos no Brasil, ao mesmo tempo em que mantém atenção sobre o desenvolvimento da 2ª safra de 2026. Nos Estados Unidos, a estimativa de área para 2026/27 é de 38,6 milhões de hectares, o que representa recuo de 4% em relação ao ciclo anterior, ainda que acima das expectativas iniciais do mercado. Esse patamar reduz o potencial produtivo da próxima safra e limita o volume disponível no mercado global. Com base em produtividade alinhada à tendência, a produção norte-americana é projetada em torno de 400 milhões de toneladas, cerca de 30 milhões de toneladas abaixo da safra 2025/26.
Esse cenário abre espaço para redução dos estoques globais, dependendo da evolução do consumo, e aumenta a relevância da safra dos Estados Unidos na formação de preços, especialmente em caso de riscos climáticos. No Brasil, o foco se desloca para o custo de produção da próxima 2ª safra. A alta dos fertilizantes, em especial da ureia, deteriorou a relação de troca, exigindo aproximadamente 55 sacas de 60 Kg milho para a aquisição de 1 tonelada do insumo, um dos piores níveis das últimas cinco safras. As compras de fertilizantes para a temporada 2026/27 seguem atrasadas, com apenas 5% do volume negociado até o fim de março, frente à média histórica de 20%. Esse ritmo mais lento mantém o mercado atento ao comportamento do produtor e às decisões de investimento nos próximos meses.
No curto prazo, a 2ª safra de 2026 segue como principal referência. O desenvolvimento das lavouras é considerado positivo até o momento, com chuvas recentes contribuindo para aliviar o estresse hídrico em regiões como o oeste do Paraná. No entanto, cerca de um terço das áreas, concentradas em Mato Grosso, já se encontra em fase de floração, período de maior exigência hídrica, o que mantém o clima como variável crítica. O comportamento recente das cotações reflete essa transição de foco. A combinação de queda nos preços do petróleo e do dólar, avanço da colheita e maior disponibilidade contribuiu para leve recuo das cotações no curto prazo, enquanto os riscos associados à próxima safra começam a ser incorporados na formação de preços. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.