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15/Apr/2026

Grãos: impacto da alta do diesel no custo de produção

Segundo o Rabobank, cada Real de aumento no preço do litro de diesel representa R$ 47,00 a mais no custo de produção de 1 hectare de soja, R$ 13,06 por tonelada e R$ 0,78 por saca de 60 Kg, em um cenário em que o bloqueio do Estreito de Ormuz e os danos à infraestrutura industrial do Oriente Médio já chegam à porteira da propriedade rural brasileira. O ponto de partida da análise é a dependência estrutural do Brasil em relação ao diesel importado. O País importa entre 25% e 30% do seu consumo anual de combustível, o que dificulta que os preços internos deixem de refletir em alguma medida mudanças sustentadas nos preços internacionais. A Petrobras reajustou o preço na refinaria em R$ 0,38 por litro em 14 de março, o primeiro ajuste desde maio de 2025. O setor privado, responsável por cerca de 20% da capacidade de refino local, já corrigiu seus preços em linha com o mercado externo. A alta não foi uniforme entre os Estados.

Com base em dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), o relatório aponta que a Bahia registrou a maior variação absoluta entre 31 de janeiro e 28 de março de 2026, de R$ 2,04 por litro. Tocantins, Paraná, Goiás, Minas Gerais e São Paulo também aparecem entre os de maior variação no período. Para o milho 2ª safra, o impacto é menor em termos relativos, mas igualmente direto: R$ 40 por hectare, R$ 5,56 por tonelada e R$ 0,33 por saca de 60 Kg a cada R$ 1,00 de alta no diesel. O frete agrava o quadro. Com base em caminhão de 50 toneladas e consumo de 2 litros de diesel por quilômetro, cada R$ 1,00 de alta no combustível representa R$ 55,00 por tonelada e R$ 3,32 por saca de 60 Kg no transporte de soja e milho de Rondonópolis (MT) ao Porto de Santos (SP), percurso de 1.385 quilômetros. Para o trajeto de Cascavel (PR) ao Porto de Paranaguá (PR), de 590 quilômetros, o impacto cai para R$ 24,00 por tonelada e R$ 1,42 por saca de 60 Kg.

Porém, há limites do estudo. A análise é “quase certamente incompleta”, por não incluir, por exemplo, o custo do frete de fertilizantes importados e defensivos agrícolas dos portos até a fazenda. Para conter a transmissão dos preços internacionais ao mercado doméstico, o governo já adotou uma série de medidas. Em 12 de março, suspendeu o PIS/Cofins de R$ 0,32 por litro sobre o diesel e concedeu subvenção de igual valor. Em 6 de abril, apresentou proposta de novas subvenções temporárias de R$ 1,20 por litro para importadores e de R$ 0,80 por litro para produtores domésticos, com condições associadas ao preço de venda dos volumes. O governo também avalia elevar a mistura obrigatória de biodiesel ao diesel, hoje em 15%. Mesmo que o conflito no Oriente Médio termine em breve, a desorganização do comércio e os danos à infraestrutura da região devem manter elevados os preços internacionais do petróleo e derivados durante a maior parte de 2026. O ambiente permanece muito volátil e é difícil prever o comportamento do preço local do diesel ao longo do restante do ano. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.