ANÁLISES

AGRO


SOJA


MILHO


ARROZ


ALGODÃO


TRIGO


FEIJÃO


CANA


CAFÉ


CARNES


FLV


INSUMOS

14/Apr/2026

Preços do milho podem recuar com entrada da safra

A queda do dólar tem influenciado o comportamento dos contratos de milho na B3. A valorização do Real tende a abrir espaço para ajustes nas cotações internas, especialmente em um momento em que o mercado começa a olhar com mais atenção para a pauta exportadora brasileira. Existe uma correlação importante. O dólar faz parte da formação de preços, assim como na soja, embora tenha um pouco menos de influência no milho. Com os futuros na Bolsa de Chicago ainda firmes, a queda do câmbio pode provocar correções nos preços domésticos à medida que o Brasil se aproxima do período em que as exportações de milho ganham ritmo.

No campo, o momento mais intenso da especulação climática pode ter ficado para trás, embora o desenvolvimento da 2ª safra de 2026 ainda mantenha o clima como variável central para o mercado. Enquanto a lavoura estiver se desenvolvendo vai ter especulação, mas o primeiro momento de preocupação mais forte com o clima já passou. Os mapas meteorológicos mais recentes indicam um cenário menos adverso para as regiões produtoras do Centro-Sul. Apesar da possibilidade de abril mais seco, as projeções para maio e junho apontam chuvas mais próximas da normalidade ou até acima da média, o que tende a reduzir riscos para a safra e diminuir a probabilidade de geadas precoces. O clima continua sendo um fator importante pelo menos até junho. O mercado interno de milho deve permanecer travado na segunda quinzena de abril, ainda em dinâmica de espera.

No Paraná, a indústria trabalha na "mão para a boca", ciente de que o grande volume de grãos entrará no mercado com a colheita da 2ª safra de 2026. Além disso, o distanciamento entre as pontas negociadoras é expressivo. Enquanto o produtor indica R$ 70,00 por saca de 60 Kg CIF, para entrega imediata e pagamento em maio, negócios são feitos efetivamente a R$ 60,00 por saca de 60 Kg CIF. A indústria está operando na contramão do produtor. Enquanto o agricultor foca em terminar a colheita da soja e tenta segurar o milho para forçar altas, as fábricas sabem que o grande volume da 2ª safra de 2026 estará disponível em breve.

É por esse motivo que a indústria só compra o estritamente necessário para manter as operações, sem qualquer pressa em estocar agora. Para 2ª safra de 2026, tradings indicam entre R$ 53,00 e R$ 54,00 por saca de 60 Kg CIF Porto de Paranaguá, para entrega em agosto e pagamento em setembro. No entanto, a 2ª safra de 2026 ainda enfrenta muita irregularidade climática. Como não se sabe ao certo o potencial produtivo final, o produtor segura a venda esperando preços mais altos se houver quebra.

Em Mato Grosso, na região de Sorriso, as indústrias adquirem volumes pequenos do milho disponível a R$ 45,00 por saca de 60 Kg FOB, para embarque imediato e pagamento em até 30 dias, com o produtor optando por liquidar o grão de 2025 diante de uma perspectiva de safra recorde em 2026. Para 2ª safra de 2026, as indicações de tradings para entrega em junho e pagamento em agosto estão em R$ 43,00 por saca de 60 Kg. Em Sorriso, o preço para exportação é de R$ 45,00 por saca de 60 Kg FOB, para embarque e pagamento em setembro, via cooperativas, chegando a R$ 46,00 por saca de 60 Kg FOB, para execução em novembro e pagamento em dezembro.