13/Apr/2026
Os preços do milho registram pequenas quedas no mercado interno, mas permanecem na casa dos R$ 69,00 por saca de 60 Kg em quase todos os dias deste mês. O Indicador ESALQ/BM&F (Campinas - SP) está cotado a R$ 69,59 por saca de 60 Kg, baixa de 0,5% nos últimos sete dias. Os recuos são influenciados pelo baixo interesse de compradores, que se mantêm cautelosos nas negociações. Parte desses agentes relata ter estoques, além de aguardar baixas mais expressivas nos próximos dias. Os vendedores, atentos à demanda enfraquecida, apresentam maior interesse nas negociações, chegando, em alguns momentos, a reduzir os valores ofertados. Isso é reflexo da queda cambial, que reduz a paridade de exportação, do avanço da colheita de safra verão (1ª safra 2025/2026) e do retorno das chuvas em partes das regiões produtoras de 2ª safra, que devem beneficiar o desenvolvimento das lavouras.
Nos últimos sete dias, o preço do milho registra baixa de 1,5% no mercado de balcão (preço pago ao produtor) e de 0,5% no mercado de lotes (negociação entre empresas). O dólar fechou a R$ 5,01 no dia 10 de abril, o menor patamar desde abril de 2024. Na B3, os vencimentos são pressionados pela queda dos valores internacionais e pelo dólar. Os contratos Maio/26 e Jul/26 apresentam baixa de 4,3% e 3,1% nos últimos sete dias, passando para R$ 68,64 por saca de 60 Kg e R$ 69,01 por saca de 60 Kg. Apesar do ritmo enfraquecido de negociações no mercado spot, nos portos brasileiros as exportações aumentaram em março. O Brasil embarcou 983,02 mil toneladas de milho nos 22 dias úteis do mês, volume 13% superior ao verificado há um ano, segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex). No entanto, para os próximos meses, exportadores devem seguir atentos à semeadura do cereal dos Estados Unidos, que teve início neste mês, além das preocupações com os conflitos no Oriente Médio.
Na temporada anterior, o Irã importou cerca de 9 milhões de toneladas de milho do Brasil, cujos embarques totais superaram os 40 milhões de toneladas em toda a safra 2024/25. Dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) apontam que, até 4 de abril, a semeadura da 2ª safra de 2026 chegou a 99,2% da área nacional, restando áreas para serem colhidas apenas em São Paulo, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul e Paraná. A colheita da safra de verão (1ª safra 2025/2026) avançou 5,6%, totalizando 51,3% da área nacional até o dia 4 de abril. Especificamente para a 2ª safra de 2026, a atenção está nas condições climáticas, já que, até a semana anterior, o clima quente e seco mantinha agricultores receosos. Agora, com o retorno das chuvas nos últimos dias, sobretudo no Paraná, parte das lavouras pode registrar recuperação.
No Paraná, o Departamento de Economia Rural (Deral/Seab) indicou no dia 6 de abril que a semeadura da 2ª safra de 2026 havia sido finalizada. Dos 2,86 milhões de hectares, 15% estão em condições médias e ruins, percentual que era de 9% na semana anterior. Em Mato Grosso do Sul, até o dia 3 de abril, a semeadura somava 97,8% da área estimada, conforme a Famasul (Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso do Sul). Em Minas Gerais e em São Paulo, segundo a Conab, as áreas semeadas até o dia 4 de abril eram de 96,7% e 95%, respectivamente. Quanto à safra verão (1ª safra 2025/2026), no Paraná, os produtores têm apontado boa produtividade com o avanço da colheita. Segundo o Deral/Seab, 94% da área havia sido colhida até o dia 6 de abril. No Rio Grande do Sul, a Emater-RS aponta que produtores se concentraram na colheita de soja e arroz e, assim, a área colhida do cereal chegou a 83% até o dia 9 de abril. Em Santa Catarina, a colheita somava 94,2% da área até o dia 9 de abril, segundo a Conab.
Nos Estados Unidos, os futuros são pressionados pelo início da semeadura no país, apesar das especulações de redução na área, as estimativas de produção seguem elevadas. Além disso, a desvalorização do petróleo na semana passada, que diminui a competitividade relativa do etanol de milho, também pressionou os vencimentos. O primeiro contrato negociado na Bolsa de Chicago registra recuo de 1,8% nos últimos sete dias, a US$ 4,44 por bushel. O segundo vencimento tem baixa de 1,7%, a US$ 4,55 por bushel. O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) indicou que 3% da área do país havia sido semeada até o dia 5 de abril, contra 2% no ano anterior e na média dos últimos cincos anos (2021-2025). Na Argentina, a Bolsa de Cereais de Buenos Aires apontou que a colheita chegou, no dia 9 de abril, a 21,6% da área nacional, leve avanço de 2,6%, devido às precipitações registradas nos últimos dias.
No dia 9 de abril, o USDA divulgou relatório indicando aumento nos estoques e na produção para a temporada global 2025/26. Os estoques passaram de 292,75 milhões de toneladas no relatório divulgado em março para 294,81 milhões de toneladas neste mês, devido aos avanços no Brasil e na Índia. Frente à safra 2023/24, o estoque mundial deve cair apenas 0,5%. O USDA estima a produção mundial em 1,301 bilhão de toneladas, contra 1,297 bilhão de toneladas previstas no relatório de março. Esse avanço se deve à maior produção na Índia. O consumo subiu para 1,302 bilhão de toneladas. Neste cenário, a relação estoque/consumo da temporada 2024/25 é de 23%, abaixo da média dos últimos cinco anos, de 25,6%. Fonte: Cepea. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.