10/Apr/2026
O mercado brasileiro de milho ainda segue sob influência do clima no curto prazo, mas a melhora recente das previsões para parte das áreas da 2ª safra de 2026 e a fraqueza do dólar começam a reforçar um viés mais baixista para os preços futuros. A distribuição de chuvas ao longo de abril seguirá decisiva para definir o potencial produtivo das áreas plantadas no fim de fevereiro e começo de março. O quadro mudou nas últimas semanas. Até o fim de março, os mapas climáticos indicavam risco maior para Paraná e Mato Grosso do Sul, justamente regiões com plantio mais tardio e maior sensibilidade à falta de chuva. Agora, porém, as projeções passaram a mostrar alguma melhora. Chuvas recentes em Mato Grosso, Goiás e Minas Gerais, além de uma sinalização menos negativa para áreas do Sul, o que reduziu parte do prêmio climático embutido nas cotações.
Se esse cenário de normalização se confirmar, o mercado tende a deslocar o foco para a paridade de exportação, com pressão maior sobre os vencimentos mais longos da B3. Nesse ambiente, o câmbio passa a ser determinante para a formação de preços. O dólar em níveis mais baixos limita de forma importante o potencial de sustentação do milho brasileiro. Nesse cenário em que o dólar está abaixo de R$ 5,10, com uma safra dentro do normal, o mercado vai para a paridade de exportação. Nesse quadro, Mato Grosso poderia trabalhar com milho entre R$ 30,00 e R$ 35,00 por saca de 60 Kg, enquanto em São Paulo (Campinas) ficaria entre R$ 60,00 e R$ 65,00 por saca de 60 Kg. A única variável capaz de mudar esse quadro seria uma quebra mais clara na 2ª safra de 2026, que recolocaria o fator da oferta acima do câmbio na precificação. No mercado interno, o destaque é a baixa liquidez e o distanciamento entre as expectativas de compradores e vendedores, tanto no disponível quanto na 2ª safra de 2026.
Em Mato Grosso, na região de Sorriso, há registro de negócios pontuais de tradings entre R$ 43,00 e R$ 45,00 por saca de 60 Kg FOB, para embarque imediato e pagamento em 72 horas. Para 2ª safra de 2026, o mercado é lento. Na região de Alta Floresta, há registro de negócios a R$ 45,00 por saca de 60 Kg FOB, via cooperativas, para embarque em junho e pagamento em agosto. É um nível aceito pelo produtor apenas pela necessidade de abrir espaço nos armazéns para a colheita, uma vez que o volume esperado não caberá nas estruturas físicas. Os preços tendem a cair quando o volume da safra entrar, de fato, no mercado, mas muitos produtores ainda apostam em uma alta das cotações em função do atraso no plantio em algumas regiões do Estado. Até o momento, o risco climático não está precificado.
No Paraná, na região de Maringá, o mercado segue sem ofertas de venda. O mercado está parado, com o produtor retraído tanto no spot quanto na 2ª safra de 2026. Não há compradores ativos para o milho disponível e as indicações para 2ª safra de 2026 são consideradas baixas pelos produtores. Tradings indicam R$ 64,00 por saca de 60 Kg CIF Porto de Paranaguá, para entrega pagamento em setembro, enquanto o vendedor não aceita negociar por menos de R$ 70,00 por saca de 60 Kg CIF. O atraso na colheita da soja e a consequente demora no plantio do milho no Estado mudaram o padrão de comportamento dos últimos anos. Ainda assim, a comercialização pode ganhar força a qualquer momento.