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09/Apr/2026

USDA: projeção da produção brasileira 2026/2027

Segundo o escritório do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) em Brasília, o Brasil deve ampliar a área e a produção de milho no ciclo 2026/27, impulsionado pela demanda de etanol de milho e pela rentabilidade favorável da cultura em rotação com a soja. O relatório anual de grãos e rações do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) projeta safra de 136 milhões de toneladas, alta de 1,5% sobre as 134 milhões de toneladas estimadas para 2025/26. A área colhida foi projetada em 23 milhões de hectares, acima dos 22,8 milhões de hectares previstos para o ciclo anterior. O USDA aponta que a rotação soja-milho mantém atratividade financeira para o produtor e sustenta a expansão da cultura nas principais regiões. O ganho de produção em 2026/27 é moderado, com rendimento médio projetado em 5,913 toneladas por hectare, levemente acima das 5,877 toneladas por hectare estimadas para 2025/26.

A sustentação da produção vem principalmente da expansão de área e da demanda doméstica, sem expectativa de forte recuperação de produtividade. O consumo interno segue sendo o principal motor, estimado em 95,8 milhões de toneladas em 2025/26 e 96,3 milhões de toneladas em 2026/27, puxado pelos setores de alimentação animal e etanol. Cerca de 60% do milho consumido no País é destinado à ração, enquanto o uso para biocombustíveis segue em expansão, com 31 usinas em operação e capacidade de 12,93 bilhões de litros por ano, além de outras 20 unidades em construção. A 2ª safra de 2026 apresenta riscos imediatos. Atrasos na colheita da soja em Estados do Centro-Oeste comprometeram a janela de plantio do milho de segunda safra. Excesso de chuva em algumas regiões e seca em outras aumentam o risco de queda de produtividade, considerando que a segunda safra responde por 79% da produção nacional.

Em Mato Grosso, a área de milho 2025/26 deve atingir 7,4 milhões de hectares, quase 2% acima da safra passada, mas a produção foi estimada em 51,7 milhões de toneladas, recuo de 7% ante 2024/25 devido às incertezas climáticas. No Paraná, a projeção é de 17 milhões de toneladas, com riscos de perda de rendimento por calor excessivo e estiagem. Em Goiás, o atraso da soja comprometeu o plantio ideal, com produção estimada em 12 milhões de toneladas, recuo de 6% em relação ao ciclo anterior. No mercado interno, a recuperação recente de preços não elimina a pressão anual. A saca de milho passou de R$ 69,45 em janeiro para R$ 71,63 em meados de março, alta de 3%, mas ainda 21% inferior ao valor de R$ 90,18 por saca de 60 Kg registrado em março de 2025. Parte da valorização recente decorre do aumento do frete, em função da prioridade no escoamento da soja.

O custo total de produção em Mato Grosso subiu de R$ 6.706,92 por hectare em outubro de 2025 para R$ 7.256,98 por hectare em fevereiro de 2026, aumento de cerca de 8%, impulsionado por sementes, fertilizantes, defensivos e itens financeiros. O Brasil importa aproximadamente 85% dos fertilizantes consumidos, cujo preço, incluindo frete, subiu cerca de 33% desde o início de março, pressionando os custos da próxima safra de verão. No comércio exterior, o USDA projeta exportações de 42 milhões de toneladas para 2025/26 e 2026/27. A produção elevada preserva o potencial exportador, mas o crescimento do consumo interno e gargalos logísticos limitam aumento de embarques. A concentração das vendas externas também preocupa, com o Irã respondendo por 22% das compras brasileiras em 2025, equivalente a 9 milhões de toneladas, gerando dúvidas sobre a capacidade de manter o ritmo ao longo do ano. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.