08/Apr/2026
O mercado brasileiro de milho deve continuar sem direção definida no curto prazo, refletindo a combinação de baixa pressão de venda no físico, câmbio instável e negociações ainda lentas para exportação. As cotações tendem a oscilar em faixa estreita nos próximos dias. O ambiente atual é de relativa calmaria. Os preços de exportação têm mostrado pouca movimentação, o que reduz os sinais de direção para o mercado doméstico. As posições de exportação de julho e agosto estão nessa faixa de R$ 67,00 a R$ 69,00 por saca de 60 Kg. Apesar da estabilidade atual, os fundamentos de médio prazo seguem positivos para o cereal.
A área da 2ª safra de 2026 pode ser menor que a do ano passado e parte das lavouras já enfrenta dificuldades climáticas em algumas regiões produtoras. Há problemas climáticos em áreas da Região Sul do País. Grande parte do Paraná e do sul de Mato Grosso do Sul já está com seca extrema. Em Mato Grosso, por outro lado, o desenvolvimento das lavouras ainda depende das chuvas de abril e maio. Caso o mercado passe a precificar uma produção menor da 2ª safra de 2026, os preços podem reagir mais à frente, especialmente diante da demanda crescente por milho no País. O Brasil está caminhando com recorde de demanda de ração e recorde de demanda para etanol, além do interesse de exportação. No mercado interno, o milho opera em compasso de espera, com compradores abastecidos e vendedores focados no encerramento do plantio da 2ª safra de 2026.
Em São Paulo, na região de Campinas, as indústrias mostram resistência em elevar as ofertas, além de utilizarem a estratégia de se abastecerem com cereal de fora do Estado para aproveitar a recuperação de ICMS, o que aumenta a competitividade do produto de outras regiões. A diferença entre a indicação do vendedor, em torno de R$ 73,00 por saca de 60 Kg CIF, para entrega imediata e pagamento ainda neste mês, e a indicação do comprador de R$ 70,00 por saca de 60 Kg CIF, em iguais prazos, trava os negócios. Existe a expectativa de que a conclusão do plantio e a chegada de chuvas estimulem o produtor a negociar estoques. Possivelmente, os produtores vão preferir vender milho em vez de soja para honrar os compromissos de 30 de abril, dada a relação histórica de preços. Para 2ª safra de 2026, tradings indicam entre R$ 65,00 e R$ 66,00 por saca de 60 Kg CIF Porto de Santos, para entrega em agosto e pagamento em setembro, valores que afastam os vendedores. No mercado interno, após compras antecipadas nas semanas anteriores, fábricas e indústrias de etanol se retiraram, aguardando definições sobre o risco climático que, por ora, é atenuado por previsões de chuvas benéficas para os próximos dias.
Em Mato Grosso do Sul, na região de Dourados, o mercado spot segue em ritmo lento. Fábricas de ração e indústrias de etanol indicam entre R$ 56,00 e R$ 58,00 por saca de 60 Kg FOB, enquanto os produtores mantêm as indicações em R$ 60,00 por saca de 60 Kg FOB. Para 2ª safra de 2026, tradings indicam entre R$ 54,00 e R$ 55,00 por saca de 60 Kg FOB, para embarque em julho e agosto, patamar considerado baixo pelos produtores e que ainda não incorpora riscos climáticos, uma vez que geadas ou secas severas ainda são tratadas apenas como probabilidades estatísticas. Sem uma ameaça climática concreta ou um alerta de frio intenso no curto prazo, o mercado permanece desprovido de fatores de alta, mantendo a comercialização em ritmo lento tanto no disponível quanto na 2ª safra de 2026.