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08/Apr/2026

EUA deve reduzir área de milho na safra 2026/2027

Segundo a Céleres, a safra 2026/27 dos Estados Unidos deve registrar nova migração de área do milho para a soja, em um contexto de maior atratividade relativa da oleaginosa. A projeção indica crescimento de 4,3% na área plantada de soja, para 34,3 milhões de hectares, enquanto o milho deve recuar 3,5%, para 38,6 milhões de hectares. O movimento é sustentado pela relação de preços na Bolsa de Chicago, pelos estoques elevados de milho e pelo aumento dos custos com fertilizantes nitrogenados, influenciados por tensões no Oriente Médio. Soma-se a isso a expectativa de retomada da comercialização de soja com a China ao longo de 2026, reforçando a competitividade da oleaginosa no planejamento da nova safra. No mercado interno norte-americano, a soja também encontra suporte em ajustes no padrão de combustíveis renováveis, que tendem a ampliar o uso de grãos na produção de biocombustíveis, além da continuidade do crescimento da demanda por proteína animal, sustentando a expansão do esmagamento.

A produção de soja nos Estados Unidos é projetada em 120,7 milhões de toneladas em 2026/27, ante 116 milhões de toneladas no ciclo anterior. O esmagamento deve avançar de 70,1 milhões para 73,1 milhões de toneladas, enquanto as exportações podem subir de 42,9 milhões para 46,1 milhões de toneladas. Ainda assim, os estoques finais tendem a recuar para 8,4 milhões de toneladas, com relação estoque/consumo de 6,9%, abaixo dos 8,0% estimados para 2025/26, com dependência do avanço das negociações comerciais entre Estados Unidos e China. Para o milho, o cenário permanece mais pressionado. A produção é estimada em 407,7 milhões de toneladas, frente a 432,3 milhões no ciclo anterior, refletindo a retração de área. Mesmo assim, os estoques finais devem permanecer elevados, em 56,3 milhões de toneladas, com relação estoque/consumo de 13,6%, limitando o potencial de valorização do cereal e reduzindo sua competitividade frente à soja.

A consolidação desse cenário dependerá do desempenho das lavouras e das condições climáticas nos Estados Unidos, fator determinante para a formação de preços ao longo do ciclo, especialmente no Meio Oeste durante o período de plantio e desenvolvimento das culturas. No contexto global, a perspectiva segue de preços pressionados, sustentada por níveis elevados de estoques, especialmente para a soja. Ainda assim, o mercado climático e os desdobramentos geopolíticos permanecem como principais vetores de volatilidade, com potencial para gerar movimentos pontuais de sustentação nas cotações. Para o Brasil, o ambiente indica atenção redobrada às margens, com a taxa de câmbio como principal fator de risco, além das incertezas climáticas que ainda envolvem a 2ª safra. O cenário geral aponta manutenção de pressão sobre os preços ao longo de 2026, com maior foco na dinâmica da soja. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.