06/Apr/2026
A Argentina realizou embarque de milho com destino à China pela primeira vez em mais de 15 anos, sinalizando retomada do fluxo comercial entre os dois países. A operação envolve o carregamento de 34 mil toneladas do cereal, marcando reativação relevante no comércio bilateral. O movimento ocorre após a liberação, em 2024, das importações de milho argentino pelo mercado chinês, ampliando as possibilidades de escoamento da produção do país sul-americano. A reabertura do mercado representa diversificação de destinos e potencial fortalecimento das exportações agrícolas. Além do milho, a China também retomou compras de trigo argentino no ano anterior, registrando o primeiro embarque do cereal em décadas. Esse avanço indica ampliação gradual das relações comerciais no segmento de grãos entre os dois países.
A retomada das exportações para a China tende a impactar a dinâmica global de oferta e demanda, ao inserir novamente a Argentina como fornecedora ativa para um dos principais importadores mundiais de grãos, com possíveis reflexos sobre preços e fluxos comerciais internacionais. A estatal chinesa Cofco realizou a compra. O movimento foi interpretado pelo mercado como tentativa da China de diversificar suas origens de importação do cereal. Para o a Standard Grain, o volume é pequeno demais para alterar qualquer equilíbrio no comércio global. Se a China quiser importar milho em quantidade, vai ter de vir para os Estados Unidos, que têm muito milho competitivo.
A Argentina não cresce em produção nem em exportações de milho há cerca de uma década, respondendo por aproximadamente 4,1% da produção mundial e por cerca de 18% das exportações globais do cereal. Os Estados Unidos, por sua vez, respondem por 33% da produção mundial e têm estoques historicamente elevados: o país tem quase 25,4 milhões de toneladas a mais de milho do que no mesmo período do ano passado, segundo os dados mais recentes do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA). A China ainda não registrou nenhuma compra de milho norte-americano no atual ano comercial. A situação argentina é radicalmente diferente da soja brasileira, cujas área plantada, produção e participação nas exportações mundiais cresceram de forma consistente ao longo das últimas décadas. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.