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06/Apr/2026

Sorgo avança como cultura estratégica no Brasil

Segundo o Itaú BBA, a expansão recente do sorgo no Brasil sinaliza uma mudança estrutural no posicionamento da cultura dentro do sistema produtivo, deixando de atuar apenas como alternativa pontual ao milho para assumir papel estratégico na gestão de risco e diversificação de renda no campo. Em um intervalo de cinco anos, a produção nacional mais que dobrou, aproximando-se de 7 milhões de toneladas, impulsionada por fatores econômicos, agronômicos e industriais que sustentam sua competitividade frente a outras culturas, especialmente na 2ª safra. Do ponto de vista econômico, o sorgo apresenta vantagem relevante em termos de custo de produção, com investimento por hectare cerca de 65% inferior ao do milho, além de menor ponto de equilíbrio operacional. Essa relação favorece sua adoção em cenários de maior incerteza, nos quais o produtor prioriza previsibilidade de resultado e preservação de caixa.

Sob a ótica agronômica, a maior eficiência no uso de água e a tolerância ao estresse hídrico ampliam a adaptabilidade da cultura, especialmente em regiões com maior risco climático ou em janelas tardias de plantio. O sorgo demanda cerca de 350 milímetros de água ao longo do ciclo, frente a aproximadamente 600 milímetros exigidos pelo milho, característica que reforça sua competitividade em ambientes mais restritivos. Além dos fatores de custo e clima, o avanço da demanda tem papel central na sustentação desse movimento. Tradicionalmente utilizado na produção de ração animal, o sorgo passa a ganhar espaço em novas frentes, como a produção de etanol, especialmente em regiões do Centro-Norte e do Matopiba (Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia), consolidando uma base de consumo mais diversificada e estável.

No mercado externo, a abertura do mercado chinês adiciona um vetor adicional de crescimento. A China responde por mais de 80% das importações globais de sorgo e, com a simplificação dos protocolos de exportação brasileiros, tende a ampliar a demanda pelo produto nacional, reduzindo a dependência do consumo interno e criando novas oportunidades de escoamento. Nesse contexto, o avanço do sorgo não se limita a uma substituição tática do milho em áreas de maior risco, mas reflete a consolidação de uma cultura com fundamentos próprios, sustentada por competitividade econômica, resiliência climática e expansão da demanda industrial e externa. A tendência é de crescimento gradual da área e da produção nos próximos anos, com o sorgo assumindo papel cada vez mais relevante na composição dos sistemas agrícolas, especialmente em cenários de maior volatilidade climática e necessidade de eficiência econômica. Fonte: The AgriBiz. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.