02/Apr/2026
Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), a irregularidade das chuvas e as temperaturas elevadas na Região Sul vêm aumentando o risco para culturas de 2ª safra de 2026, especialmente milho e feijão no Paraná e sistemas forrageiros no Rio Grande do Sul, O quadro tende a aprofundar o déficit hídrico em áreas do oeste dos dois Estados nas próximas semanas, em um ambiente climático marcado pelo fenômeno La Niña. Dados agrometeorológicos indicam que o armazenamento de água no solo já está abaixo de 30% da capacidade em diversas áreas do oeste da Região Sul.
Essa condição contribui para a redução do crescimento radicular e da parte aérea das plantas e, dependendo da fase fenológica da cultura, pode ocasionar abortamento de flores e grãos. No Paraná, o milho 2ª safra de 2026 na região oeste já acumula perdas em áreas da região de Marechal Cândido Rondon. O plantio ocorreu principalmente entre o final de janeiro e a primeira quinzena de fevereiro, período marcado por altas temperaturas e irregularidade das chuvas no início do ciclo. No centro-norte, onde a semeadura foi mais tardia e ainda ocorre em alguns pontos, as condições climáticas têm sido mais favoráveis.
Nos próximos dias, a previsão indica continuidade da irregularidade das precipitações na Região Sul. Os maiores volumes devem ocorrer no centro e no noroeste do Paraná, entre 30 mm e 90 mm, enquanto no Rio Grande do Sul os acumulados mais elevados são esperados para o sul do Estado, entre 20 mm e 50 mm. Em Santa Catarina, a tendência é de chuvas mais isoladas, com volumes entre 3 mm e 12 mm. As temperaturas máximas devem variar entre 28°C e 34°C na maior parte da região, podendo superar 32°C no sudoeste do Rio Grande do Sul até o fim de semana.
Esse cenário, associado à irregularidade das chuvas e às temperaturas mais elevadas, tende a contribuir para a redução dos estoques de água no solo. O déficit hídrico deve persistir no noroeste gaúcho até o final da semana. O contexto climático também ajuda a explicar os impactos sobre a safra de verão (1ª safra 2025/2026). O La Niña favoreceu chuvas mais irregulares e volumes abaixo da média ao longo da temporada 2025/26. No Rio Grande do Sul, a soja apresentou grande variabilidade de produtividade entre regiões, resultado da combinação de pancadas isoladas de chuva e temperaturas elevadas no final de janeiro e início de fevereiro.
Estimativas do sistema agrometeorológico Sisdagro indicam que a perda de produtividade da soja pode chegar a 50,4% até 6 de abril em áreas do município de São Luiz Gonzaga, no noroeste do Rio Grande do Sul, para lavouras semeadas em 15 de janeiro. Em Santa Catarina e no Paraná, as condições climáticas foram menos adversas e resultaram em melhor desempenho das lavouras. O tempo mais seco recente, por outro lado, tem favorecido o avanço da colheita de soja em grande parte da região. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.