02/Apr/2026
Segundo o Bradesco, o mercado global de milho deve registrar déficit na safra 2026/27, com a relação estoque/consumo projetada para atingir o menor nível desde o ciclo 2014/15, refletindo um cenário de restrição de oferta e demanda resiliente. A principal pressão sobre a oferta vem dos Estados Unidos, onde a produção deve recuar em 30 milhões de toneladas na comparação anual. A redução está associada à migração de área para a soja, movimento influenciado pelo aumento dos custos de fertilizantes nitrogenados em meio ao cenário geopolítico internacional. Em contrapartida, a ampliação da produção em países como Argentina, Ucrânia e no Sul do Brasil, favorecida por condições climáticas associadas ao El Niño, deve adicionar cerca de 10 milhões de toneladas ao mercado global.
Ainda assim, esse volume é insuficiente para compensar integralmente a queda na produção norte-americana. No Brasil, a produção total de milho está estimada em 143 milhões de toneladas, com crescimento em relação à safra anterior, impulsionado pela expansão de área. Apesar disso, persistem riscos relevantes para a segunda safra, especialmente em função do atraso no plantio em algumas regiões e da ocorrência de chuvas no curto prazo, que podem limitar a incidência solar e afetar o desenvolvimento das lavouras. A demanda doméstica segue em trajetória de expansão, com destaque para o setor de etanol de milho, que deve ampliar o consumo em pelo menos 5 milhões de toneladas até o próximo ano.
A alimentação animal continua como principal destino do grão, respondendo por cerca de 45% do consumo total. Diante desse cenário, os preços do milho encontram sustentação tanto no déficit global projetado quanto nos riscos associados à oferta brasileira. As cotações ainda não refletem integralmente eventuais impactos climáticos sobre a produtividade da safra 2026/27. Adicionalmente, observa-se o retorno dos fundos de investimento a posições líquidas compradas, o que reforça o viés de sustentação para os preços no curto e médio prazo. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.