31/Mar/2026
O mercado brasileiro de milho deve continuar atento ao risco climático para 2ª safra de 2026 nas próximas semanas, fator que pode sustentar as cotações domésticas, mesmo após o plantio avançar além da janela ideal em parte das áreas produtoras. A fase de desenvolvimento das lavouras é o principal ponto de atenção para os preços no curto prazo. A discussão sobre plantio tardio já foi parcialmente incorporada pelo mercado, mas o risco climático permanece elevado em regiões importantes do Centro-Oeste e do Sudeste. A percepção é de que há um risco climático muito grande para algumas regiões. Áreas de estados como Goiás e Mato Grosso do Sul enfrentam maior exposição a problemas climáticos durante o desenvolvimento das lavouras, cenário que pode ser agravado por condições atmosféricas menos favoráveis do que o esperado anteriormente. Existe possibilidade de um fenômeno climático El Niño muito mais forte do que se esperava.
O risco climático para o desenvolvimento é muito maior do que só a perda da janela. O comportamento da safra nas próximas semanas será decisivo para a direção das cotações no Brasil. Caso o clima traga dificuldades para 2ª safra de 2026, o mercado pode reagir com movimentos de alta semelhantes aos registrados em ciclos recentes, podendo chegar a patamares semelhantes aos vistos entre 2024 e 2025. No mercado físico, as negociações ainda são lentas neste período do ano, com parte dos produtores priorizando a venda de milho disponível para geração de caixa, enquanto aguardam melhores condições para comercializar soja ou a própria produção futura da 2ª safra de 2026. Ao mesmo tempo, oportunidades de venda com pagamento rápido chegaram a aparecer nas últimas semanas. No mercado interno, enquanto o setor produtivo na Região Sul segura as ofertas do cereal à espera de patamares mais elevados, na Região Centro-Oeste a demanda da indústria local tenta imprimir ritmo ao mercado disponível, ainda que de forma pontual.
No Paraná, na região de Ponta Grossa, a oferta de milho é restrita com a alta dos preços da soja. Os vendedores indicam R$ 65,00 por saca de 60 Kg CIF no imediato. Indústrias e fábricas de ração mantêm as indicações entre R$ 62,00 e R$ 63,00 por saca de 60 Kg CIF, para entrega e pagamento em abril. A perspectiva para o milho no próximo mês é de preços firmes, embora a comercialização da 2ª safra de 2026 esteja atrasada. O clima é de incerteza no campo. A oferta da 2ª safra de 2026 pode ser menor do que a do ano passado. O risco climático e a possibilidade de geadas precoces são fatores que podem impulsionar os preços futuros nas próximas semanas.
Em Mato Grosso, na região de Rondonópolis, o mercado de milho disponível apresenta melhora, com elevação dos preços e fechamento de negócios pontuais. Os compradores indicam R$ 54,00 por saca de 60 Kg FOB, para retirada imediata e pagamento em 30 dias. Para 2ª safra de 2026, o mercado segue estagnado. As indicações são de R$ 50,00 por saca de 60 Kg FOB, para embarque em julho e pagamento em agosto, e entre R$ 52,00 e R$ 53,00 por saca de 60 Kg FOB, para embarque em novembro e pagamento em dezembro. O produtor não quer vender nesses níveis e o comprador não eleve a indicação. Para o milho da safra 2026/27, com foco no mercado interno, a indicação é de R$ 48,00 por saca de 60 Kg FOB, base fábrica ou terminal de Rondonópolis, para embarque no segundo semestre de 2027.