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26/Mar/2026

Preço firme com riscos climáticos da 2ª safra 2026

O mercado brasileiro de milho passa a incorporar maior risco climático na formação de preços, especialmente para a 2ª safra de 2026, com reflexos já observados nos contratos futuros negociados na B3. O atraso no plantio em parte das regiões produtoras elevou a sensibilidade da cultura às condições climáticas entre abril e maio, período considerado crítico para definição de produtividade. Apesar de Mato Grosso apresentar semeadura majoritariamente dentro da janela ideal, cerca de 15% da área ficou fora do período recomendado, nível próximo à média histórica. Em Goiás, o atraso na colheita da soja reduziu a janela de plantio, levando parte dos produtores a migrar para o sorgo, alternativa considerada menos arriscada em situações de plantio tardio.

As condições climáticas iniciais ainda indicam cenário favorável, com previsão de chuvas em boa parte das regiões produtoras em abril. No entanto, o mercado direciona maior atenção para o intervalo entre meados de abril e meados de maio, quando eventuais adversidades climáticas podem impactar de forma mais significativa o potencial produtivo da 2ª safra de 2026. No cenário internacional, o milho encontra suporte adicional na alta do petróleo e no consumo firme para produção de etanol nos Estados Unidos, fatores que sustentam as cotações na Bolsa de Chicago e influenciam a formação de preços no Brasil. Ainda assim, o desempenho da safra brasileira permanece como principal vetor para o mercado doméstico no curto prazo. No mercado interno, a comercialização segue em ritmo lento, refletindo a ausência de demanda consistente no curto prazo.

Em Mato Grosso, na região de Primavera do Leste, as negociações no mercado disponível ocorrem de forma pontual, com demanda concentrada em pequenos lotes para a indústria de ração, com indicações entre R$ 51,00 e R$ 52,00 por saca de 60 Kg FOB, para retirada em abril e pagamento em maio, enquanto os vendedores indicam em torno de R$ 55,00 por saca de 60 Kg FOB. Para a 2ª safra de 2026, o mercado apresenta menor liquidez após registros recentes de negócios para exportação a R$ 50,00 por saca de 60 Kg FOB, para embarque previsto para agosto e pagamento em setembro. A necessidade de chuvas nas próximas semanas mantém produtores cautelosos, que evitam fixar preços antes de maior segurança sobre o potencial produtivo.

No Paraná, na região de Maringá, o mercado spot apresenta baixa absorção imediata, com limitação de espaço para recebimento de milho no curto prazo. O foco regional desloca-se para a 2ª safra de 2026, embora a escassez de ofertas restrinja o volume negociado. Há indicações de tradings para entrega no Porto de Paranaguá em julho a R$ 68,00 por saca de 60 Kg CIF, com expectativa de maior interesse de venda a partir de níveis próximos a R$ 70,00 por saca de 60 Kg CIF. A perspectiva é de que o avanço do clima em abril seja determinante para destravar as negociações da 2ª safra de 2026, em um ambiente em que o risco climático atua como principal fator de sustentação dos preços no mercado doméstico.