20/Mar/2026
Os mercados de milho e soja na Bolsa de Chicago operam com suporte de fundos de investimento, em um movimento associado à percepção de subavaliação dos grãos em relação ao petróleo. Enquanto o índice geral de commodities acumula valorização próxima de 24% no ano, o subíndice agrícola avança menos de 6%, ampliando o diferencial e atraindo compras especulativas. O petróleo em níveis próximos de US$ 95 por barril, com possibilidade de superar US$ 100, reforça a leitura de que milho e soja apresentam preços relativamente baixos, estimulando a ampliação de posições compradas. As estimativas indicam cerca de 200 mil contratos líquidos tanto em milho quanto em soja por parte dos fundos.
O ambiente geopolítico contribui para esse cenário, com impactos sobre o mercado de insumos. O ataque ao campo de gás de South Pars, no Irã, relevante para a produção de fertilizantes nitrogenados, adiciona incertezas à oferta futura de nitrogênio, especialmente para o ciclo de 2027, ainda que parte da demanda de 2026 esteja previamente contratada. Esse fluxo financeiro ajuda a sustentar a recuperação recente das cotações na Bolsa de Chicago, mesmo diante de fundamentos mistos. No caso da soja, a safra recorde do Brasil e a ausência de novas compras da China para a safra velha dos Estados Unidos continuam limitando avanços mais consistentes.
O foco da demanda tende a migrar para a nova safra, com expectativa de retomada das aquisições a partir do meio do ano, para embarques após setembro. No mercado de milho, além da atuação dos fundos, o comportamento da área plantada nos Estados Unidos permanece no radar, diante do encarecimento dos fertilizantes nitrogenados. O aumento dos custos, associado ao cenário internacional, pode influenciar decisões de plantio, embora ainda haja elevada incerteza quanto à direção desse movimento. A leitura antecipada da área plantada apresenta limitações relevantes, com histórico recente de revisões significativas.
A expectativa é de que estimativas mais precisas sejam consolidadas apenas no decorrer do segundo trimestre, à medida que o plantio avance e as condições de mercado se tornem mais claras. Medidas adotadas pelos Estados Unidos para reduzir custos logísticos de energia e fertilizantes, como ajustes regulatórios temporários, têm efeito limitado sobre o mercado, mantendo a pressão sobre preços. No cenário mais amplo, o mercado monitora se o atual movimento de alta nos preços de energia e insumos representa um choque transitório ou o início de um novo ciclo de valorização das commodities, fator que seguirá determinante para o comportamento dos grãos nos próximos meses. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.