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19/Mar/2026

EUA: guerra pressiona rentabilidade de soja e milho

Segundo as Universidades de Illinois e Ohio State, a guerra no Oriente Médio tem pressionado a rentabilidade da safra norte-americana de milho e soja 2026/27, principalmente pelo aumento dos custos de produção, enquanto o efeito sobre os preços dos grãos permanece limitado, num momento em que grande parte das decisões de plantio já foi tomada nos Estados Unidos. O conflito impacta os grãos de forma menos direta do que a guerra Rússia-Ucrânia, já que a região concentra oferta significativa de petróleo, gás natural e fertilizantes, mas depende de importações de alimentos e não compromete de forma relevante a produção agrícola global. Em alguns cenários, os estoques mundiais podem até crescer se houver redução das importações de produtos agropecuários para a região.

Nos mercados futuros, milho e soja registraram avanços iniciais, mas perderam força nos últimos dias. O contrato dezembro de 2026 do milho na Bolsa de Chicago passou de US$ 4,69 por bushel em 27 de fevereiro para US$ 4,90 por bushel em 13 de março, enquanto o vencimento novembro de 2026 da soja avançou de US$ 11,28 por bushel para US$ 11,68 por bushel. Posteriormente, a soja recuou para US$ 11,21 por bushel em 16 de março, pressionada pelo risco de adiamento de encontros bilaterais e menor avanço nas vendas para a China. O impacto mais evidente ocorreu nos custos de energia. O petróleo WTI em Cushing, Oklahoma, subiu de US$ 66,96 por barril para mais de US$ 90,00 por barril após o início dos bombardeios, refletindo-se no diesel agrícola em Illinois, que passou de US$ 3,14 por galão para US$ 3,90 por galão.

Caso o petróleo continue avançando, o combustível pode superar US$ 4,50 por galão, nível observado durante a guerra Rússia-Ucrânia em 2022. Embora o diesel represente apenas 3% do custo não fundiário do milho, o aumento se espalha pelo transporte, fabricação de insumos e toda a cadeia produtiva. Os fertilizantes apresentam sensibilidade ainda maior, especialmente para o milho. O Oriente Médio responde por cerca de 10% da produção mundial de ureia e é fornecedor de gás natural essencial para nitrogenados. Antes de 27 de fevereiro, a ureia atacado em Nova Orleans estava abaixo de US$ 500,00 por tonelada, e em 13 de março já superava US$ 650,00 por tonelada. A amônia anidra ultrapassou US$ 900,00 por tonelada.

Para grande parte dos produtores norte-americanos, os efeitos variam. Muitos já adquiriram ou travaram insumos essenciais, incluindo fósforo, potássio, sementes e químicos, enquanto produtores que ainda não fecharam o nitrogênio enfrentam preços elevados e dificuldade de obtenção. Nesse contexto, pode ocorrer migração pontual de área do milho para a soja, que demanda menos adubação nitrogenada, embora mudanças significativas sejam improváveis com a semeadura tão próxima. Mesmo com grande parte dos insumos já adquiridos, as perspectivas de rentabilidade para 2026 provavelmente foram reduzidas, e os aumentos de custos podem continuar afetando o setor nos próximos anos. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.