19/Mar/2026
O mercado de milho no Brasil mantém viés de sustentação nos preços diante do atraso no plantio da 2ª safra de 2026 e dos riscos climáticos ao desenvolvimento das lavouras, com agentes antecipando possíveis perdas de produtividade e redução na oferta ao longo do segundo semestre. O calendário agrícola indica deslocamento do pendoamento das lavouras, que tende a ocorrer entre o fim de abril e o início de maio em algumas regiões, período associado a condições climáticas menos favoráveis. A perspectiva de temperaturas elevadas nesse intervalo aumenta o risco de impacto negativo sobre o rendimento das lavouras.
No ambiente doméstico, a formação de preços também é influenciada pelo câmbio e pelo comportamento dos contratos futuros na Bolsa de Chicago. Ainda assim, o mercado brasileiro apresenta relativa resiliência frente à aversão global ao risco, em função da posição do País como exportador líquido de petróleo, o que contribui para atenuar pressões externas. A precificação já incorpora a expectativa de oferta mais restrita no segundo semestre, configurando o principal fator de suporte para os contratos futuros. Em regiões produtoras, há relatos de condições climáticas adversas durante fases críticas, como pendoamento e polinização, especialmente sob cenários de restrição hídrica, o que pode comprometer o potencial produtivo.
No Paraná, na região de Cascavel, a indicção no mercado disponível é de R$ 62,00 por saca de 60 Kg, com indústrias de ração atuando de forma cautelosa enquanto os estoques apresentam redução gradual. Para a 2ª safra de 2026, as indicações giram em torno de R$ 60,00 por saca de 60 Kg FOB no interior e R$ 70,00 por saca de 60 Kg CIF Porto de Paranaguá, podendo alcançar R$ 72,00 por saca de 60 Kg em negociações de maior volume. Os produtores restringem a oferta, aguardando maior definição climática.
Em Mato Grosso do Sul, na região de Dourados, o ambiente é marcado por pressão de custos, com destaque para a elevação do diesel e impactos sobre a logística. As indicações para o milho disponível variam entre R$ 56,00 e R$ 58,00 por saca de 60 Kg FOB, para embarque imediato e pagamento em abril, representando queda de pelo menos R$ 3,00 por saca de 60 Kg frente à semana anterior. Para a 2ª safra e 2026, os compradores indicam R$ 54,00 por saca de 60 Kg FOB, para embarque em julho e pagamento em agosto, enquanto os vendedores indicam até R$ 60,00 por saca de 60 Kg FOB. O cenário combina incertezas climáticas, atraso no plantio e ajustes na dinâmica de oferta e demanda, com potencial de maior volatilidade e sustentação de preços no curto e médio prazo.