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18/Mar/2026

Preços sustentados pela demanda interna aquecida

O mercado brasileiro de milho segue sustentado pela demanda interna aquecida e pelas dúvidas em torno da 2ª safra de 2026, plantada com atraso em diversas regiões. O quadro atual combina compradores ativos com oferta limitada no mercado físico. Existe um mercado muito comprador. Setores de etanol e de ração estão no mercado, mas não estão conseguindo grandes ofertas. A principal incerteza envolve a área efetivamente semeada da 2ª safra de 2026, que foi plantada muito tarde e ainda não tem os números finais. Há indicativos de que a área pode ter ficado abaixo do previsto por causa do atraso. O milho interno continua mostrando sinais de que tem fôlego positivo.

Em Mato Grosso, na região de Primavera do Leste, os preços registram recuo de R$ 2,00 por saca de 60 Kg. A indicação de compra está entre R$ 48,00 e R$ 49,00 por saca de 60 Kg FOB para 2ª safra de 2026 e no spot. O milho disponível hoje é fruto de estoque de sete a oito meses, carregando custos de quebra técnica e armazenamento que tornam os preços atuais pouco atrativos para o produtor.

Em São Paulo, na região de Campinas, os compradores adotam uma postura defensiva. Mesmo com estoques mais curtos, as indústrias de ração estão recuadas, apostando que o produtor precisará vender milho de forma barata para honrar os compromissos bancários de 30 de abril. Fábricas de ração indicam entre R$ 70,00 e R$ 71,00 por saca de 60 Kg CIF no spot, enquanto os produtores seguem firmes indicando entre R$ 73,00 e R$ 73,50 por saca de 60 Kg. O resultado é uma liquidez baixíssima, com indústrias comprando apenas uma carreta por vez para cobrir o imediato.

Para 2ª safra de 2026, o cenário é de incerteza climática e logística. Tradings indicam entre R$ 68,00 e R$ 69,00 por saca de 60 Kg CIF Porto de Santos, para entrega em agosto e pagamento em setembro. O preço é considerado abaixo do esperado por produtores, que já fizeram negócios da safra futura a R$ 65,00 por saca de 60 Kg FOB. O atraso no plantio também desencoraja o produtor a ofertar novos volumes agora. A tendência é que o foco permaneça no mercado interno, com o olhar voltado para exportação apenas com a proximidade da colheita.