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18/Mar/2026

Etanol de Milho: demanda sustenta preços do grão

Segundo o BTG Pactual, a expansão do etanol de milho tem alterado de forma estrutural a dinâmica do mercado brasileiro do cereal, com impacto direto sobre a formação de preços no interior do País. A produção de etanol consome atualmente cerca de 24,1 milhões de toneladas de milho por ano, o equivalente a 17,3% da produção nacional. O avanço dessa demanda é recente e ocorre em ritmo acelerado. Há pouco mais de uma década, o consumo de milho para etanol era praticamente inexistente no Brasil. Atualmente, o País conta com 33 usinas em operação e outras 18 em fase de aprovação, indicando continuidade da expansão nos próximos anos, com novas unidades previstas no Centro-Oeste, além de Maranhão, Paraná e São Paulo.

O crescimento do setor é sustentado pela combinação de oferta abundante e competitividade industrial. A consolidação do milho 2ª safra ampliou significativamente a disponibilidade do grão, especialmente no Centro-Oeste, enquanto o custo de produção do etanol de milho se manteve, em média, cerca de 20% inferior ao do etanol de cana nos últimos anos. Na safra 2024/25, o Ebitda por litro do etanol de milho, descontado o capex de manutenção, foi de R$ 1,94, acima da média observada no etanol de cana no mesmo período. A rentabilidade das usinas também é favorecida pela geração de subprodutos, como o DDGS, utilizado na alimentação animal, que reduz o custo líquido da operação e amplia as margens do setor.

O impacto mais direto dessa nova demanda ocorre na formação de preços. Tradicionalmente, o milho produzido no Centro-Oeste apresentava desconto relevante em relação aos referenciais do Sudeste e dos portos, devido aos custos logísticos. Com o aumento do consumo doméstico, esse diferencial vem sendo reduzido, sustentando os preços no interior. O avanço do etanol de milho também reflete limitações estruturais da cana-de-açúcar, cuja área plantada e produtividade apresentaram baixo crescimento nos últimos anos. Em contrapartida, a expansão da 2ª safra consolidou o milho como cultura de grande escala, reforçando sua competitividade e disponibilidade no mercado interno. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.