16/Mar/2026
A disponibilidade do milho no spot nacional para negociação imediata está menor, levando os compradores a acirrarem a disputa pelo cereal. Diante disso, os preços do cereal são impulsionados em parte das regiões. O Indicador ESALQ/BM&F (Campinas - SP) supera os R$ 71,00 por saca de 60 Kg. A média da parcial de março está em R$ 70,60 por saca de 60 Kg, a maior desde maio de 2025 (série atualizada pelo IGP-DI fevereiro/2026). É importante ressaltar que a restrição na oferta ocorre mesmo em um cenário de colheita de safra verão em andamento e de estoques de passagem confortáveis. Em relatório divulgado na sexta-feira (13/03), a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estima que a safra 2025/2026, que começou em fevereiro, tem estoque inicial de 12,68 milhões de toneladas de estoques, bem acima das 1,88 milhão de toneladas da temporada 2024/2025.
A atual prioridade dos agentes tem sido as entregas de soja e a semeadura da 2ª safra de milho de 2026. Além da restrição por parte dos vendedores, compradores também têm aumentado o interesse na recomposição dos estoques, tentando garantir cereal para as próximas semanas. A disputa por fretes, que já está acirrada, pode se intensificar, devido ao aumento no valor dos combustíveis diante dos conflitos no Oriente Médio e do fechamento do Estreito de Ormuz. O Indicador ESALQ/BM&F (Campinas - SP) registra alta de 1,9% nos últimos sete dias, cotado a R$ 71,56 por saca de 60 Kg, voltando a operar nos patamares observados em maio de 2025. O movimento de alta se estende para a maior parte das regiões; as exceções ainda ocorrem em algumas regiões que atualmente estão em período de colheita, como Passo Fundo (RS) e Campo Novos (SC), onde os preços apresentam baixa de 1,1% e 1,3%, respectivamente.
Nos últimos sete dias, as altas são de 0,5% no mercado de lotes (negociação entre empresas) e de 2,1% no mercado de balcão (preço pago ao produtor). Nos Estados Unidos, os preços também seguem em alta, ainda refletindo o forte avanço nos preços do petróleo. Essa recente valorização melhora a competitividade relativa do etanol, que é feito principalmente com milho no país norte-americano. Com isso, na Bolsa de Chicago, os vencimentos Março/2026 e Maio/2026 registram avanço de 1,5% e 2% nos últimos sete dias, respectivamente, cotado a US$ 4,48 por bushel e a US$ 4,62 por bushel. Dados da Conab divulgados na sexta-feira (13/03) mostram que a produção nacional de milho em 2025/2026 pode somar 138,27 milhões de toneladas, 2% abaixo da safra anterior, que, vale lembrar, foi recorde. Esse cenário é resultado das reduções nas produtividades. Para 2ª safra de 2026, ajustes negativos foram realizados em relação ao relatório de fevereiro, com a produção estimada em 108,43 milhões de toneladas, 4% inferior à safra passada.
Para safra de verão (1ª safra 2025/2026), os números foram praticamente mantidos comparativamente a fevereiro. A estimativa é de aumento de 9,7% na oferta nacional, que totalizaria 27,35 milhões de toneladas. Quanto à 3ª safra de 2026, a produção pode ter queda de 17%, a 2,48 milhões de toneladas. No total, a colheita de 2025/2026 está prevista em 138,27 milhões de toneladas, que, adicionada às 12,68 milhões de toneladas dos estoques iniciais e às importações, de 1,7 milhão de toneladas, geram disponibilidade interna de quase 153 milhões de toneladas. Destas, 94,56 milhões de toneladas devem ser consumidas internamente e 46,5 milhões de toneladas devem ser exportadas (entre fevereiro/2026 e janeiro/2027). O estoque no final de janeiro/2027 seria, então, de 11,59 milhões de toneladas, semelhante aos atuais estoques.
Segundo o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), a produção mundial da temporada 2025/2026 deve somar 1.297,44 bilhão de toneladas, alta de 5% sobre a temporada passada. O consumo deve crescer 3% frente à safra passada, indo para 1.300,51 bilhão de toneladas. Com isso, os estoques mundiais totalizarão 292,75 milhões de toneladas. As recentes chuvas registradas nas regiões produtoras do Brasil favorecem as lavouras da 2ª safra de 2026 já semeadas. No entanto, existe uma preocupação quanto ao atraso na semeadura, com a finalização do período considerado ideal (em fevereiro), as lavouras ficam mais suscetíveis a adversidades climáticas, como frentes frias no outono. Segundo dados da Conab, até o dia 7 de março, 75,9% das lavouras haviam sido semeadas, avanço semanal de 11%. Quanto à safra verão (1ª safra 2025/2026), a chuva também tem atrasado a colheita, que totalizou 29,5% da área nacional. Fonte: Cepea. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.