12/Mar/2026
Os contratos futuros de milho negociados na Bolsa de Chicago registraram valorização relevante nesta quarta-feira (11/03), revertendo a leve queda observada na sessão anterior. O vencimento maio fechou a US$ 4,60 por bushel, com alta de 8,00 cents, equivalente a avanço de 1,77%. O movimento de alta foi sustentado principalmente pelo fortalecimento do setor energético e pelo aumento do prêmio de risco geopolítico associado à escalada militar no Oriente Médio. Mesmo após o anúncio da Agência Internacional de Energia (AIE) de liberação de 400 milhões de barris de petróleo, os preços da commodity voltaram a subir diante da manutenção do bloqueio do Estreito de Ormuz.
A valorização do petróleo tende a elevar a competitividade do etanol nos Estados Unidos, combustível cuja principal matéria-prima é o milho. O suporte adicional às cotações veio de dados divulgados pela Administração de Informação sobre Energia (EIA). O relatório semanal indicou que a produção média diária de etanol nos Estados Unidos alcançou 1,126 milhão de barris na semana encerrada em 6 de março, superando o desempenho observado no mesmo período de 2025. Paralelamente, os estoques do biocombustível recuaram para 25,58 milhões de barris. O cenário de demanda doméstica aquecida, combinado à pressão de grupos do setor rural e de parlamentares pela autorização permanente da venda de E15 ao longo de todo o ano, contribuiu para reforçar o suporte técnico às cotações do cereal na Bolsa de Chicago.
No campo dos fundamentos globais, o mercado segue assimilando os ajustes do relatório mensal de oferta e demanda divulgado pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA). O órgão elevou a estimativa para a produção de milho do Brasil para 132 milhões de toneladas, enquanto reduziu a projeção de safra da Argentina para 52 milhões de toneladas em função de adversidades climáticas. Nos Estados Unidos, os estoques finais da temporada 2025/26 foram mantidos em 54,02 milhões de toneladas.
No Brasil, o avanço do plantio do milho 2ª safra de 2026 atingiu 75,9% da área prevista até o dia 7 de março, superando a média dos últimos cinco anos, embora ainda abaixo do ritmo observado no ciclo anterior. O mercado também registrou suporte técnico adicional a partir da valorização de outras commodities agrícolas, com destaque para trigo e complexo soja. A demanda por milho destinado à moagem permanece elevada, enquanto fluxos de capital especulativo continuam direcionados para commodities agrícolas em busca de proteção. As tensões no Mar Negro, incluindo ataques a infraestruturas portuárias na região de Odesa, reforçam as preocupações com a oferta global e contribuem para manter compradores ativos no mercado norte-americano.