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12/Mar/2026

Etanol de Milho: produção deve avançar no Brasil

A produção de etanol de milho no Brasil deve avançar de forma significativa nos próximos anos, com potencial de crescimento de aproximadamente 7 bilhões de litros até 2028, impulsionada principalmente pela entrada em operação de novas usinas já autorizadas no país. A estimativa considera cerca de 30 projetos aprovados pela Agência Nacional do Petróleo (ANP), muitos deles concentrados no Centro-Oeste, especialmente em Mato Grosso, onde a abundância de milho e a proximidade com as áreas produtoras favorecem a competitividade do modelo industrial.

Atualmente, o etanol de milho já ocupa uma posição relevante na matriz de biocombustíveis brasileira. Na safra 2025/26, a produção deve alcançar cerca de 10 bilhões de litros, o equivalente a quase um terço da oferta nacional de etanol, estimada em aproximadamente 34 bilhões de litros. Para a safra seguinte, a projeção aponta para cerca de 11,7 bilhões de litros, reforçando a tendência de crescimento estrutural dessa rota produtiva dentro do setor bioenergético.

Um dos fatores que explicam essa expansão é a estrutura de custos e investimento relativamente competitiva das plantas industriais. Estimativas do setor indicam que o capex necessário para instalar capacidade de produção equivalente a 1 litro de etanol por ano varia entre R$ 3 e R$ 4. Em outras palavras, uma usina com capacidade anual de 1 bilhão de litros exigiria investimentos entre R$ 3 bilhões e R$ 4 bilhões. Projetos de maior escala tendem a apresentar ganhos adicionais de eficiência, já que diluem custos fixos e operacionais, ampliando a competitividade do empreendimento.

Outro elemento central para entender a viabilidade econômica das usinas é a formação da margem bruta, conhecida no setor como “crush spread”. Essa margem corresponde à diferença entre o valor obtido com a venda dos produtos finais, principalmente etanol e coprodutos, e o custo do milho utilizado como matéria-prima. Atualmente, essa margem bruta gira em torno de R$ 2 por litro de etanol, nível considerado relativamente elevado em comparação com a média observada nos últimos anos.

A estrutura da margem também depende fortemente da monetização dos coprodutos da indústria, especialmente o DDG (Distillers Dried Grains), utilizado na nutrição animal. No modelo atual das usinas brasileiras, cerca de 45% do custo do milho utilizado na produção de etanol pode ser compensado pela venda desses coprodutos, o que reduz significativamente o custo líquido da matéria-prima e melhora a rentabilidade das plantas industriais. Além disso, a qualidade do DDG — especialmente seu teor de proteína — influencia diretamente o valor de mercado do produto e, consequentemente, a margem final da operação.

Apesar das perspectivas positivas de expansão, o rápido crescimento da capacidade instalada também levanta preocupações sobre o equilíbrio entre oferta e demanda no curto prazo. A entrada simultânea de várias usinas, somada ao aumento potencial da produção de etanol de cana — que pode adicionar cerca de 3 bilhões de litros adicionais em determinadas safras — pode gerar períodos temporários de excesso de oferta no mercado doméstico. Nesse cenário, as margens do setor tendem a ficar mais pressionadas, principalmente para empresas com menor eficiência operacional ou estrutura financeira mais frágil.

Ainda assim, no horizonte estrutural, o etanol de milho tende a consolidar seu papel como um dos principais vetores de crescimento da bioenergia no Brasil. A combinação entre disponibilidade de matéria-prima, ganhos de escala industrial, monetização de coprodutos e políticas de estímulo aos biocombustíveis cria condições para a continuidade da expansão do setor, reforçando a integração entre agricultura, energia e pecuária na cadeia do agronegócio brasileiro. Fonte: The AgriBiz. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.