11/Mar/2026
Segundo relatório da XP Research, o desempenho do milho 2ª safra de 2026 em Mato Grosso dependerá das chuvas de abril e maio, após atrasos no plantio provocados pela colheita tardia da soja. O cereal entrará nesse período em estágio avançado de desenvolvimento, exigindo precipitações regulares para sustentar o potencial produtivo. Com clima favorável, a safra de milho superará facilmente as estimativas, mas depende fortemente de quanto chover nos próximos meses. A XP projeta produção de milho de 54,4 milhões de toneladas no Estado na safra 2025/26, acima da estimativa do Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea), de 52 milhões de toneladas. A área deve crescer 4,1%, atingindo 7,56 milhões de hectares e superando o pico histórico de 7,49 milhões de hectares registrado em 2023. A produtividade média é estimada em 120 sacas por hectare, superior à projeção do Imea (116,6 sacas/ha), mas abaixo da tendência histórica de 15 anos, de 123 sacas/ha.
O risco climático aumenta porque o milho deve chegar aos meses de abril e maio já em fase avançada de desenvolvimento. Nesse período, a média histórica de precipitação no Estado é de cerca de 150 milímetros. Nas últimas três safras, as mais atrasadas foram justamente as que registraram os maiores rendimentos, o que ilustra o peso das chuvas de outono sobre qualquer outra variável do ciclo. Nas principais regiões produtoras do Estado, observa-se aumento estrutural da demanda por milho, impulsionado pelas usinas de etanol. A dinâmica de preços entre as duas culturas chegou a provocar discussões sobre plantar milho como 1ª safra, uma distorção causada pela crescente demanda por milho em Mato Grosso, particularmente pelos players de etanol de milho. O relatório aponta potencial de expansão adicional da área nos próximos anos à medida que novas usinas entram em operação no Estado. Enquanto o milho concentra as principais incertezas da temporada, a safra de soja em Mato Grosso caminha para mais um ciclo próximo do recorde.
A XP projeta produção de 51 milhões de toneladas na safra 2025/26, volume estável em relação ao ciclo anterior. Segundo os analistas, a produtividade pode superar a registrada em 2025, o que abriria espaço para revisões positivas nas estimativas. As exportações do Estado devem atingir 32 milhões de toneladas, com embarques mais concentrados no início do ano. A média mensal de exportações entre fevereiro e junho deve ficar cerca de 9% acima da observada no mesmo período de 2024, refletindo colheita mais rápida e comercialização antecipada. Na logística, o estudo aponta um início de ano favorável para o transporte ferroviário. O Arco Norte, porém, enfrenta gargalos simultâneos. As obras de pavimentação da Transportuária, estrada de acesso ao porto de Miritituba, têm provocado filas e tempos de espera acima do normal para transbordo e devem ser concluídas apenas no meio do ano. A cobrança de pedágio foi restabelecida na BR-364, com impacto estimado entre R$ 30 e R$ 40 por tonelada no frete.
A solução estrutural para o acesso a Miritituba, o projeto da Via Brasil que conectará a BR-230 ao porto, ainda não foi iniciada. Em janeiro, porém, o Tribunal de Contas da União aprovou o reequilíbrio do contrato da BR-163, classificando o trecho como obra de execução imediata. Os fretes rodoviários estão próximos do pico sazonal e devem recuar entre R$ 10 e R$ 20 por tonelada ao longo de março. Para o segundo semestre, a visibilidade ainda é limitada, já que os contratos do tipo "take or pay" com tradings para o escoamento do milho seguem em negociação. O repasse inflacionário ao frete tende a prevalecer no período, sustentado pelo balanço exportável robusto e pelas restrições logísticas que persistem em rotas concorrentes. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.