11/Mar/2026
O milho brasileiro opera com viés de alta e deve manter o fôlego nas próximas semanas, sustentado por uma combinação de fatores internos considerados favoráveis, mesmo diante das oscilações externas. O mercado doméstico tem fundamentos próprios que independem do comportamento da Bolsa de Chicago. O principal suporte vem da 2ª safra de 2026. O prazo de semeadura da 2ª safra de 2026 já foi ultrapassado, com grande parte de área prevista ainda sem plantio, o que deve resultar em produção menor do que a esperada.
Com a demanda interna crescendo e a oferta exportável se reduzindo, o mercado deve seguir mais firme. Ainda há muita área de 2ª safra que não foi plantada. A demanda interna brasileira vai ser maior. Então, provavelmente, haverá menos milho exportável. No mercado externo, uma possível redução de 2 milhões de hectares na área plantada nos Estados Unidos pode tirar até 20 milhões de toneladas do mercado global. É muito milho que vai faltar no mundo. O conflito no Oriente Médio segue como pano de fundo, com influência sobre petróleo e fertilizantes, mas o milho não depende apenas dessa dinâmica para sustentar as altas.
O ambiente do milho, além de estar trabalhando mais vinculado ao mercado financeiro e à questão da guerra, tem os seus fundamentos próprios positivos. No mercado físico, de um lado, há o risco de perda de demanda externa, com o Irã, principal comprador, envolvido em conflito com os Estados Unidos, o que gera um excedente potencial no mercado interno. De outro, a disparada no preço do diesel e o atraso no plantio da 2ª safra de 2026 dão fôlego às indicações dos produtores, que elevam os preços para patamares considerados inviáveis pelos compradores. O resultado é um mercado spot travado por um choque de expectativas e um frete em ascensão vertical.
Em Mato Grosso do Sul, na região de Dourados, indústrias e usinas indicam R$ 55,00 por saca de 60 Kg FOB no spot, mas encontram resistência dos vendedores. Os produtores esperar para ver o que vai acontecer com a guerra e com o diesel. Além da questão geopolítica, há o medo do desabastecimento de combustível em pleno plantio da 2ª safra de 2026, já que o Brasil depende da importação de diesel russo, atualmente comprometida. Para 2ª safra de 2026, as tradings indicam entre R$ 54,00 e R$ 55,00 por saca de 60 Kg FOB, para embarque em julho e pagamento em agosto, mas vendedores seguem retraídos.
Em São Paulo, na região de Campinas, o impasse é ainda mais acentuado. O frete subiu de forma agressiva, pressionado tanto pela safra de soja quanto pelo custo do diesel, empurrando o custo final para a indústria para cima. Os compradores indicam R$ 68,00 por saca de 60 Kg CIF, mas os produtores indicam acima de R$ 70,00 por saca de 60 Kg CIF, chegando a até R$ 75,00 por saca de 60 Kg FOB. O milho estocado virou a garantia de ganho do produtor diante do atraso da 2ª safra de 2026. Para 2ª safra de 2026, as negociações seguem travadas. Uma vez que o setor já havia antecipado volumes consideráveis, agora prefere observar o desenvolvimento das lavouras sob risco climático e dos conflitos geopolíticos.