10/Mar/2026
Os contratos futuros de milho negociados na Bolsa de Chicago encerraram a sessão desta segunda-feira (09/03) em queda, acompanhando o movimento negativo do trigo, que compete diretamente com o milho na formulação de ração animal. O contrato com vencimento em maio recuou 6,75 cents (1,47%), e fechou a US$ 4,53 por bushel. Apesar da forte valorização do petróleo, ator que tende a melhorar a competitividade do etanol produzido a partir de milho nos Estados Unidos, o mercado foi pressionado principalmente por movimentos de realização de lucros e ajuste de posições por parte dos investidores. Dados da Commodity Futures Trading Commission (CFTC) indicaram mudança relevante no posicionamento dos fundos especulativos. Na semana encerrada em 3 de março, a posição líquida passou de vendida em 13.234 contratos para comprada em 52.243 contratos, movimento que estimulou parte do mercado a reduzir exposições compradas.
Outro fator de pressão continua sendo a incerteza regulatória em torno da política de combustíveis nos Estados Unidos. A Comissão de Agricultura da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos aprovou recentemente um projeto da nova lei agrícola norte-americana (Farm Bill), mas a proposta não incluiu a medida que permitiria a venda de gasolina com 15% de etanol (E15) durante todo o ano, algo considerado relevante para ampliar a demanda por milho no setor de biocombustíveis. No comércio exterior, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) informou que 1,52 milhão de toneladas de milho foram inspecionadas para exportação na semana encerrada em 5 de março, queda de 18,4% em relação à semana anterior. Ainda assim, no acumulado do ano comercial, os embarques somam 41,2 milhões de toneladas, volume 41,5% superior ao registrado no mesmo período do ciclo anterior.
O mercado também aguarda o relatório mensal de oferta e demanda do USDA. Analistas projetam elevação da estimativa para a safra brasileira, de 131 milhões para 132,3 milhões de toneladas, enquanto a produção da Argentina pode sofrer leve ajuste para 52,9 milhões de toneladas. Para os Estados Unidos, a expectativa média do mercado aponta aumento dos estoques finais. No Brasil, o avanço do plantio da 2ª safra de 2026 também segue no radar. Levantamento da AgRural mostra que o plantio atingia 82% da área estimada no Centro-Sul até a última semana, ante 66% na semana anterior e 92% no mesmo período de 2025. Apesar da aceleração recente, o ritmo ainda é o mais lento desde 2022, com preocupações climáticas persistindo em áreas do Paraná e de Mato Grosso do Sul devido à baixa umidade do solo.