09/Mar/2026
Os preços do milho na região consumidora de Campinas (SP) avançam pela quinta semana consecutiva, impulsionados pela posição firme de vendedores e pela demanda aquecida. O Indicador ESALQ/BM&F já opera acima dos R$ 70,00 por saca de 60 Kg, patamar verificado pela última vez em dezembro de 2025. Nos últimos sete dias, o aumento do Indicador é de 1,4%, a R$ 70,24 por saca de 60 Kg. Neste momento, produtores dão prioridade às atividades de campo envolvendo a colheita da safra de verão (1ª safra 2025/2026) e a semeadura da 2ª safra de 2026. Assim, agricultores negociam apenas lotes pontuais. Os consumidores seguem ativos no mercado, em busca de recomposição dos estoques. As maiores valorizações do cereal ainda são observadas nas regiões consumidoras e nas quais produtores têm dado preferência à negociação da soja, como no Triângulo Mineiro (MG), em Rio Verde (GO) e em Sorriso (MT). Nestas regiões, os avanços nos preços nos últimos sete dias são de 3% e 1,8% e 0,9%, respectivamente.
A Região Sul do País, maior produtora na safra de verão (1ª safra) do cereal, está com a colheita um pouco mais adiantada que em anos anteriores, os preços seguem em queda. Nos últimos sete dias, os preços registram queda de 0,4% em Chapecó (SC); em Santa Rosa (RS), 1,2%; e, em Ponta Grossa (PR), 0,8%. No entanto, nos últimos sete dias, os avanços são de 0,5% no mercado de balcão (preço pago ao produtor) e de 1% no mercado de lotes (negociação entre empresas), evidenciando que as altas prevalecem. Na B3, impulsionados pelas valorizações do dólar e externa, os vencimentos futuros também estão em alta. O contrato Março/2026 tem avanço de 0,8% nos últimos sete dias, a R$ 71,92 por saca de 60 Kg. Os contratos Maio/2026 e Julho/2026 apresentam alta de 3,6% e 2,5%, indo para R$ 73,21 por saca de 60 Kg e R$ 70,32 por saca de 60 Kg. Dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) apontam que, até o dia 28 de fevereiro, a semeadura chegou a 64,9% da área nacional, forte avanço semanal de 18,2%.
A colheita da safra de verão (1ª safra 2025/2026) avançou 4,4%, totalizando 24,9% da área nacional. Especificamente para 2ª safra de 2026, em Mato Grosso, a semeadura avançou, mas ainda está abaixo do ritmo da temporada passada. Segundo o Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea), 81,93% da área estimada havia sido semeada até o dia 27 de fevereiro, um pouco abaixo dos 84,95% do mesmo período do ano passado. O Imea apresentou as estimativas de área e de produção para 2025/26, sendo respectivamente de 7,39 milhões de hectares (1,8% superior à da safra anterior) e de 51,71 milhões de toneladas (queda de 6%, devido à redução de 8,4% na produtividade). Em Mato Grosso do Sul, a área semeada, até o dia 27 de fevereiro, chegou em 45,8%, conforme aponta a Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso do Sul (Famasul). Segundo o Departamento de Economia Rural (Deral/Seab), com o tempo firme e a intensificação da colheita de soja no Paraná, 62% da área estimada para 2ª safra de 2026 havia sido semeada até o dia 2 de março.
A colheita da safra de verão (1ª safra 2025/2026) está acima da média dos últimos cinco anos, de acordo com a Conab. No Paraná, apesar de pontuais problemas com o clima seco, as produtividades das lavouras colhidas se mantêm dentro das expectativas iniciais. Até o dia 2 de março, quase 55% das lavouras haviam sido colhidas no Estado. No Rio Grande do Sul, a Emater-RS aponta que a colheita chegou a 64% da área estadual até o dia 5 de março e que, devido à estiagem durante o desenvolvimento das lavouras, algumas apresentam menor produtividade. Em Santa Catarina, a colheita somava 28% da área até o dia 28, segundo a Conab. O atual conflito entre os Estados Unidos e o Irã vem deixando agentes em alerta, sobretudo os exportadores. Isso porque o Irã se tornou recentemente um importante comprador do cereal brasileiro. Em 2025, o país foi o maior destino do milho nacional, recebendo 9 milhões de toneladas, praticamente o dobro do que no ano anterior (4,33 milhões de toneladas), segundo apontam dados da Secex.
No entanto, como as exportações brasileiras de milho tendem a ser intensificadas apenas no segundo semestre, agentes, por ora, apenas acompanham os possíveis impactos para os próximos meses. Em fevereiro, os embarques brasileiros de milho somaram 1,55 milhão de toneladas, 9% acima do volume escoado no mesmo mês de 2025. Como a prioridade neste momento tem sido o escoamento da soja, a expectativa é de que os embarques dos próximos meses se mantenham abaixo dos registrados no segundo semestre. Nos Estados Unidos, os preços também estão em alta, impulsionados pelos valores do petróleo, que melhora a competitividade do etanol, que é feito neste país principalmente a partir de milho. Além disso, as exportações aquecidas também dão suporte às cotações. Com isso, na Bolsa de Chicago, os vencimentos Março/26 e Maio/26 registram avanços de 1,9% e 2,3% nos últimos sete dias, a US$ 4,41 por bushel e US$ 4,53 por bushel, respectivamente. Fonte: Cepea. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.