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09/Mar/2026

EUA: guerra ameaça abastecimento de fertilizantes

O fechamento do Estreito de Ormuz pelo Irã ocorre em um período estratégico para o abastecimento de fertilizantes nos Estados Unidos, coincidindo com a fase de maior volume de importações de insumos utilizados no plantio de primavera do milho, concentrada entre março e maio. A interrupção das rotas marítimas no Golfo pode comprometer o fluxo global de fertilizantes nitrogenados e fosfatados destinados à safra norte-americana.

A elevação do risco geopolítico amplia as incertezas sobre o mercado de fertilizantes e sobre a rentabilidade da produção de milho nos Estados Unidos. O cenário atual se soma a pressões já existentes desde a Invasão da Ucrânia pela Rússia em 2022, que provocou forte volatilidade nos custos de insumos agrícolas nos últimos anos.

Antes da escalada do conflito, aproximadamente metade do comércio marítimo global de fertilizantes nitrogenados transitava pelo Estreito de Ormuz, com origem principalmente em Catar, Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e no próprio Irã. O mercado de fosfatos enfrenta situação semelhante, já que produtores da região respondem por parcela relevante da oferta internacional. A paralisação temporária dessas rotas reduz a disponibilidade global de produto em um momento em que o mercado já operava com oferta restrita.

Além do impacto logístico, a escalada do conflito também pressiona os custos de energia. O Catar, um dos maiores fornecedores globais de gás natural liquefeito (GNL), interrompeu parte de sua produção após ataques, levando os preços do GNL a patamares recordes na Europa e na Ásia, com alta próxima de 50%. O gás natural é insumo essencial na produção de amônia e de fertilizantes nitrogenados, o que amplia os efeitos indiretos sobre a cadeia global de produção.

O momento da interrupção das rotas marítimas aumenta a sensibilidade do mercado. Uma carga embarcada no Oriente Médio leva entre 30 e 45 dias para chegar ao porto de Porto de Nova Orleans, principal ponto de entrada de fertilizantes nos Estados Unidos. Assim, os embarques destinados às importações de março e abril precisariam ter sido carregados entre janeiro e março, período que coincide com a intensificação do conflito na região.

O mercado norte-americano de fertilizantes já apresentava sinais de fragilidade antes da crise atual. Após a imposição de tarifas comerciais em abril de 2025, as importações de fosfato pelos Estados Unidos recuaram 25% em relação ao ano anterior. No segmento de nitrogenados, os volumes importados foram mantidos, mas com maior dependência da Rússia, que respondeu por aumento de 46% nas compras norte-americanas. A exclusão temporária de fornecedores do Oriente Médio reduz as alternativas de abastecimento, sobretudo em um cenário em que eventuais restrições adicionais à Rússia poderiam ampliar ainda mais o aperto na oferta global.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, avaliou que o conflito pode se estender por quatro a cinco semanas ou mais e autorizou a U.S. International Development Finance Corporation a oferecer seguro de risco político para navios que atravessem o Estreito de Ormuz. Ainda assim, grandes companhias de navegação já indicaram que não pretendem operar na região durante o período de maior risco, independentemente da disponibilidade de seguros.

Para os produtores de milho norte-americanos, o impacto dependerá do volume de fertilizantes ainda necessário para completar o planejamento da safra e da duração da interrupção das rotas marítimas. Em um cenário de incerteza logística e de volatilidade de preços, a disponibilidade de fertilizantes tende a se tornar um fator determinante para a rentabilidade da cultura na safra 2026. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.