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06/Mar/2026

Preço do milho sustentado por restrições na oferta

Ainda é cedo para estimar impactos mais relevantes do conflito envolvendo Irã, Estados Unidos e Israel sobre o mercado de milho. Os custos de seguro e de frete elevados tendem a ter algum efeito porque encarece o milho no destino, mas o mercado ainda espera entender quanto tempo o conflito vai durar Enquanto não houver clareza sobre a duração da guerra, os agentes tendem a adiar ajustes mais fortes nos preços. Eventuais mudanças no fluxo comercial podem ocorrer, já que o Irã historicamente recorre ao Brasil para comprar milho, justamente porque tem pouco comércio com os Estados Unidos, que é o principal exportador mundial. Mesmo assim, os efeitos diretos sobre o milho tendem a ser limitados no curto prazo.

Além disso, o Brasil tem consumido mais milho internamente nos últimos anos, o que reduz a dependência das exportações e tende a amortecer parte do impacto. Efeitos mais claros só devem aparecer se o conflito se prolongar até o segundo semestre. Nesse cenário, há possibilidade de ajustes comerciais para manter competitividade. Pode acontecer de o milho brasileiro precisar ser negociado com algum desconto para ganhar espaço em outros mercados consumidores importantes. No mercado doméstico, o atraso no plantio da 2ª safra de 2026 ainda não tem influência relevante sobre os preços. Existe atraso pontual, mas o plantio avançou relativamente bem nas principais regiões produtoras, especialmente em Mato Grosso. O câmbio é o principal fator de curto prazo na formação de preços, com muita volatilidade por causa da aversão global ao risco.

Além disso, o mercado comprador esteve bastante parado e uma eventual retomada das compras também pode influenciar a precificação no mercado interno. O mercado físico de milho entra em um período de entressafra marcado pelo "vazio de oferta" e pelo distanciamento entre as pontas compradoras e vendedoras. Enquanto as fábricas de ração em São Paulo e no Paraná elevam as indicações para garantir o abastecimento imediato, o produtor adota uma estratégia de retenção, apostando em preços mais altos entre abril e maio. No entanto, há o risco dessa concentração de oferta futura coincidir com a entrada da 2ª safra de 2026, o que poderia pressionar as cotações justamente quando o produtor decidir vender.

No Paraná, na região de Maringá, o mercado spot está paralisado. Fábricas de São Paulo chegam a indicar R$ 63,00 por saca de 60 Kg FOB, com acréscimo de impostos, para retirada imediata, mas não encontram oferta. O produtor vai segurar para vender só em maio. Mas, essa estratégia pode ser arriscada caso todos resolverem vender ao mesmo tempo. Para 2ª safra de 2026, tradings indicam entre R$ 67,00 a R$ 68,00 por saca de 60 Kg CIF Porto de Paranaguá, patamar que não atrai vendedores, que preferem observar a evolução do plantio após a colheita da soja.

Em Mato Grosso, na região de Sorriso, os compradores indicam no disponível R$ 44,00 por saca de 60 Kg FOB, via pessoa física, para execução em maio e pagamento em junho, enquanto via cooperativas o preço sobe para R$ 49,00 por saca de 60 Kg FOB, em iguais condições. Os produtores indicam entre R$ 55,00 e R$ 60,00 por saca de 60 Kg FOB, embora a indústria ainda não sinalize fôlego para tais valores. Para 2ª safra de 2026, há registro de negócios para usinas de etanol a R$ 48,00 por saca de 60 Kg FOB, via cooperativas, para embarque em setembro e pagamento em outubro. O produtor não está vendendo nas janelas curtas, mas está travando custos em execuções mais longas para garantir margem.