05/Mar/2026
O conflito envolvendo o Irã representa um risco potencial para o milho brasileiro ao longo do ano, mas não constitui, neste momento, o principal vetor de formação de preços. A avaliação é de que o mercado doméstico está mais concentrado nas condições climáticas e na dinâmica cambial. O Irã respondeu por quase 25% das exportações brasileiras do cereal no ano passado, o que mantém o fator geopolítico no radar, especialmente considerando que a janela mais relevante de embarques ocorre no último trimestre, período de maior intensidade nas vendas da 2ª safra. No curto prazo, o foco permanece no desenvolvimento das lavouras de inverno e na valorização do dólar.
O câmbio chegou a operar próximo de R$ 5,32 no mercado à vista, com alta próxima de 2%, movimento que reforça a paridade de exportação e sustenta os contratos futuros na B3. A valorização da moeda norte-americana tende a impulsionar a formação de preços no mercado doméstico ao elevar a competitividade do produto brasileiro no exterior e dar suporte às cotações internas. No mercado físico, a combinação de estoques reduzidos nas indústrias consumidoras e o aumento do risco climático para 2ª safra de 2026 tem fortalecido as indicações dos produtores, que optam por reter o grão à espera de preços mais elevados.
Em Mato Grosso, na região de Campo Verde, há registro de negócios a R$ 50,00 por saca de 60 Kg FOB, com retirada imediata e pagamento em 30 dias. Via cooperativas, as indicações sobem R$ 2,00 por saca de 60 Kg FOB, nas mesmas condições. Os estoques dos consumidores internos estão ajustados para, no máximo, 60 dias, cenário que pode forçar recomposição ao longo de março, sobretudo para atendimento da demanda dos segmentos de aves, suínos e bovinos. Para 2ª safra de 2026, há registro de negócios para tradings a R$ 48,00 por saca de 60 Kg FOB, para embarque e pagamento em agosto. O valor representa avanço frente aos R$ 46,00 por saca de 60 Kg FOB praticados na semana anterior, embora a maior parte dos produtores ainda busque R$ 50,00 por saca de 60 Kg e realize apenas operações pontuais voltadas ao travamento de custos. As usinas de etanol indicam cerca de R$ 45,00 por saca de 60 Kg FOB, podendo atingir R$ 48,00 por saca de 60 Kg FOB em operações via cooperativas.
No Paraná, o cenário internacional e a valorização do dólar ampliaram a retração do produtor no mercado spot. Fábricas de ração tentam manter indicações ao redor de R$ 61,00 por saca de 60 Kg FOB, enquanto vendedores indicam entre R$ 65,00 e R$ 67,00 por saca de 60 Kg FOB. A necessidade de recomposição de estoques pode sustentar movimentos de alta no curto prazo. Para 2ª safra de 2026, as vendas seguem praticamente paralisadas, com produtores aguardando maior clareza sobre o cenário climático e econômico. Fábricas de ração indicam entre R$ 60,00 e R$ 62,00 por saca de 60 Kg FOB, para retirada em agosto e pagamento em setembro. Tradings indicam entre R$ 56,00 e R$ 57,00 por saca de 60 Kg CIF Porto de Paranaguá, em igual prazo. O ambiente de incertezas mantém o mercado em compasso de espera.