05/Mar/2026
A escalada do conflito envolvendo Irã e Estados Unidos elevou a volatilidade nos mercados globais de commodities agrícolas, com ajustes de posições diante do risco de interrupções nas cadeias de suprimento de milho, farelo de soja, fertilizantes e açúcar. A intensificação das ações militares pressiona o Estreito de Ormuz, corredor estratégico para o comércio internacional de petróleo e outras matérias-primas. No complexo soja, o óleo registrou alta de até 3,9%, alcançando o maior patamar em dois anos e meio, impulsionado pela valorização do petróleo. O movimento reforça a competitividade dos biocombustíveis produzidos a partir de soja e milho, elevando o interesse pelo derivado. O ambiente geopolítico também adiciona incerteza às relações comerciais entre Estados Unidos e China. O presidente norte-americano, Donald Trump, indicou que a campanha militar pode se estender por semanas, enquanto o presidente chinês, Xi Jinping, manifestou críticas aos bombardeios. O cenário coloca em risco a realização de encontro bilateral previsto para as próximas semanas e pode retardar compras chinesas adicionais de soja norte-americana.
A China, maior consumidora global da oleaginosa, retomou recentemente aquisições para cumprir compromisso de 12 milhões de toneladas na atual temporada, após período de retração motivado por tensões comerciais. No farelo de soja, as cotações caíram até 2,7%, refletindo a relevância do Irã como importador do produto para alimentação animal, além do aumento da produção norte-americana e da elevação dos custos de frete, fatores que podem limitar a competitividade das exportações dos Estados Unidos. No segmento de fertilizantes, o risco logístico é relevante. A região do Golfo concentra algumas das maiores plantas globais de produção e embarque de nutrientes agrícolas, e o Estreito de Ormuz responde por aproximadamente um terço do comércio mundial desses insumos. O cenário adiciona pressão sobre preços já elevados, ampliando os custos ao produtor rural. No trigo, embora os impactos diretos sobre oferta e demanda global do cereal sejam considerados limitados, o fluxo financeiro segue sensível à evolução do conflito.
No milho, o foco está nas exportações brasileiras. O Irã é o principal destino do milho do Brasil, respondendo por cerca de 22% dos embarques no ano passado. Uma interrupção prolongada no comércio bilateral pode dificultar o escoamento da produção brasileira, mesmo com expectativa de crescimento da demanda doméstica. No açúcar, o aumento do petróleo estimulou cobertura de posições vendidas por parte de especuladores, diante do potencial de maior direcionamento da matéria-prima à produção de biocombustíveis. O prêmio do açúcar refinado sobre o bruto também avançou, considerando que o suprimento destinado à maior refinaria independente do mundo, localizada em Dubai, depende de fluxos que passam pelo Estreito de Ormuz. A commodity apresentou estabilidade nas cotações no período analisado. De forma geral, os mercados adicionam prêmio de risco associado ao conflito e à incerteza quanto à sua duração e aos possíveis danos à infraestrutura regional, o que tende a manter as commodities agrícolas sensíveis ao noticiário geopolítico nas próximas semanas. Fonte: InfoMoney. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.