05/Mar/2026
A forte valorização dos fertilizantes nitrogenados nos Estados Unidos, em meio às tensões no Oriente Médio, reacendeu o debate sobre possível redução da área de milho na safra 2026/27. Apesar do movimento nos insumos, o mercado futuro ainda não sinaliza mudança relevante nas intenções de plantio. O conflito envolvendo o Irã limitou embarques e reduziu a disponibilidade de ureia no Golfo Pérsico, região que responde por 25% das exportações mundiais do produto. O risco de prolongamento das tensões pode estender os impactos a outros insumos, como enxofre, fosfato e, em menor medida, amônia anidra.
Nos Estados Unidos, onde os estoques já estavam ajustados antes da escalada geopolítica, os preços reagiram com intensidade. A referência do Golfo americano avançou de US$ 350 por tonelada no início de dezembro para US$ 600 atualmente, alta de 71% em três meses e de 28% apenas nesta semana. No varejo, há ofertas acima de US$ 700 por tonelada quando o produto está disponível, em cenário de restrição de oferta. O impacto potencial é mais relevante para o milho, cultura que demanda maior volume de nitrogênio por hectare. O fertilizante representa entre 10% e 20% do custo total de produção. Uma elevação de 40% no insumo implica aumento de 4% a 8% no custo total da lavoura.
Embora haja estimativas mais agressivas no mercado, os preços futuros ainda não refletem perda expressiva de área. Na Bolsa de Chicago, o contrato dezembro do milho opera próximo de US$ 4,70 por bushel, equivalente a cerca de US$ 185,00 por tonelada, sem indicar retração significativa na área projetada. As estimativas para a safra 2026/27 variam. O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos projeta 38 milhões de hectares, enquanto levantamentos privados indicam intervalo entre 38,4 milhões e mais de 40 milhões de hectares. O relatório oficial de intenção de plantio será divulgado no fim de março, mas uma avaliação mais precisa tende a ocorrer apenas em junho, com o plantio praticamente concluído.
O ambiente de incerteza também afeta o sentimento do produtor. Indicadores recentes apontam melhora nas condições atuais, mas deterioração nas expectativas futuras. Parte dos US$ 11 bilhões do programa federal de auxílio ao produtor, cujos pagamentos começaram nesta semana, pode ser direcionada à cobertura dos custos mais elevados com fertilizantes. No câmbio, o dólar acumula alta de 1,3% em dois dias, maior avanço em quase um ano, movimento associado à busca por ativos seguros e à valorização do petróleo, que reforça preocupações inflacionárias e pode adiar cortes de juros pelo Federal Reserve. Um dólar mais forte tende a pressionar a base brasileira e favorecer a competitividade das exportações nacionais. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.