04/Mar/2026
A possível ampliação do conflito envolvendo o Irã tende a ter impacto limitado sobre o mercado brasileiro de milho no curto e médio prazo. O calendário de embarques restringe efeitos imediatos, uma vez que o Irã figura entre os principais destinos do milho brasileiro, mas os embarques concentram-se entre julho e fevereiro, sendo praticamente inexistentes entre março e junho. Mesmo em caso de prolongamento do conflito nas próximas semanas, o efeito sobre os preços domésticos é considerado reduzido, dado que o período atual corresponde à entressafra de exportações e o pico dos embarques ocorre apenas a partir do meio do ano.
A sustentação recente das cotações na B3 está associada predominantemente ao mercado interno. O avanço do consumo em março, período sazonalmente mais aquecido, com maior intensidade das operações do setor de etanol e redução da oferta remanescente da safra passada, tem dado suporte aos contratos. Com menor disponibilidade no mercado spot e postura mais ativa dos compradores, o ambiente permanece ajustado. A valorização do dólar também reduz a competitividade das importações, especialmente do Paraguai, que sinaliza menor excedente exportável neste ano, reforçando o viés mais firme no curto prazo com base em fundamentos domésticos.
Em Mato Grosso, na região de Primavera do Leste, a comercialização segue em ritmo lento, com leve melhora na demanda por fábricas de ração. No spot, as indicações giram em torno de R$ 50 por saca de 60 Kg FOB, para retirada imediata e pagamento em abril, enquanto vendedores indicam R$ 52,00 por saca de 60 Kg FOB, nas mesmas condições. Para a 2ª safra de 2026, após o fechamento da janela considerada ideal de plantio, estima-se que entre 30% e 40% da área esteja em zona de risco. A indústria indica R$ 48,00 por saca de 60 Kg FOB, para retirada em agosto e pagamento em setembro, enquanto tradings indicam R$ 45,00 por saca de 60 Kg FOB.
Em São Paulo, na região de Campinas, a restrição de oferta marca o início do mês, com produtores mais retraídos e concentrados no plantio. No spot, os vendedores indicam R$ 70,00 por saca de 60 Kg FOB, frente a indicações de compra entre R$ 65,00 e R$ 66,00 por saca de 60 Kg FOB. Para exportação, tradings indicam R$ 71,00 por saca de 60 Kg CIF. Para a 2ª safra de 2026, o mercado interno se mostra mais atrativo que o externo, com tentativas de negociação a R$ 65,00 por saca de 60 Kg FOB, nível que pode viabilizar negócios após a conclusão do plantio e maior definição do estande das lavouras.