02/Mar/2026
Os produtores brasileiros estão com as atenções voltadas ao campo, focados sobretudo na colheita e no escoamento da soja, o que mantém limitada a oferta de milho no mercado spot nacional. Em regiões consumidoras, como as do estado de São Paulo, a oferta abaixo da demanda mantém firmes os preços de negociação do milho. Além disso, o aumento nos valores dos fretes (caminhões atualmente atendem ao escoamento da soja, gerando dificuldades logísticas para carregamento de milho) também influencia a alta nos preços do cereal. Vale lembrar que esse custo na maior parte dos casos é arcado pelo comprador. Nas regiões ofertantes, como as do Sul do Brasil que, atualmente, estão em colheita da safra de verão (1ª safra 2025/2026), os valores do milho estão enfraquecidos.
Desvalorizações mais intensas são contidas devido à retração de parte dos produtores, que acredita em retomada das altas no curto prazo, fundamentados no fato de muitos vendedores estarem dando prioridade para a negociação da soja. O Indicador ESALQ/BM&F (Campinas - SP) registra alta de 0,7% nos últimos sete dias, cotado a R$ 69,28 por saca de 60 Kg. Em Ponta Grossa (PR), Ijuí (RS) e Campo Novos (SC), no mesmo período, os preços apresentam baixa de respectivos 2,5%, 1% e 0,2%. Nos últimos sete dias, há leve baixa de 0,2% no mercado de balcão (preço recebido pelo produtor), mas pequeno avanço de 0,1% no mercado de lotes (negociações entre empresas). Na B3, os contratos futuros estão em alta, influenciados pela atuação cautelosa de produtores no mercado spot.
O contrato Março/2026 registra valorização de 0,1% nos últimos sete dias, a R$ 71,35 por saca de 60 Kg, e o Maio/2026 tem avanço de 0,3%, para R$ 70,70 por saca de 60 Kg. Os trabalhos de campo seguem ocorrendo de forma satisfatória nas principais regiões produtoras, com a colheita da safra de verão (1ª safra 2025/2026) e a semeadura da 2ª safra de 2026 em ritmo semelhante à média dos últimos cinco anos. Segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), até o dia 21 de fevereiro, a colheita da safra de verão (1ª safra 2025/2026) somava 20,5% da área, contra 22,2% da média dos últimos cinco anos. Para 2ª safra de 2026, a média nacional da semeadura totalizava 46,7% da área esperada, avanço semanal de 14,5% e próximo dos 53,2% da média das últimas cinco safras.
No Rio Grande do Sul, as chuvas voltaram e reduziram o ritmo da colheita da safra de verão (1ª safra 2025/2026), que avançou apenas 2% entre 19 e 26 de fevereiro, chegando a 60% da área no dia 26 de fevereiro, conforme a Emater-RS. No Paraná, segundo dados do Departamento de Economia Rural (Deral/Seab), até o dia 23 de fevereiro, pouco mais de 40% da área já havia sido colhida; do que ainda está por colher, 7% registravam condições médias e 93%, bom estado. Em Santa Catarina, a colheita totalizava 22% da área estadual até o dia 21 de fevereiro, segundo a Conab. Para 2ª safra de 2026, o Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea) indica que a semeadura foi favorecia pelo clima em Mato Grosso e que já soma 66,33% da área esperada, forte avanço de 20,26% até o dia 20 de fevereiro. Em Mato Grosso do Sul, a área semeada, até o dia 20 de fevereiro, chegou em 30,5%, segundo a Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso do Sul (Famasul).
No Paraná, dados do Deral/Seab indicam que, até o dia 23 de fevereiro, 45% da área destinada ao cereal 2ª safra de 2026) já havia sido semeada; 3% estavam em condições médias e 97%, em boas. Quanto às fases, 35% estavam em germinação e 65%, em desenvolvimento vegetativo. Nos Estados Unidos, os vencimentos futuros são impulsionados pela demanda internacional aquecida e pela expectativa de aumento na procura interna para produção de etanol. Com isso, na Bolsa de Chicago, os vencimentos Março/2026 e Maio/2026 apresentam alta de 1,7% e 1,6% nos últimos sete dias, a US$ 4,33 por bushel e a US$ 4,43 por bushel, respectivamente. Na Argentina, segundo a Bolsa de Cereais de Buenos Aires, a colheita da temporada 2025/2026 está avançando e chegou a 3,6% da área até o dia 26 de fevereiro, com as atividades mais concentradas nas regiões de Santa Fé. Fonte: Cepea. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.