27/Feb/2026
O mercado brasileiro de milho começa a incorporar prêmio de risco climático às cotações diante do atraso no plantio da 2ª safra de 2026. O atraso nacional gira em torno de 15%, com destaque para Goiás, onde o plantio da soja atrasado e o clima pouco favorável impediram a aceleração dos trabalhos. No norte de Mato Grosso, o excesso de chuvas também compromete o ritmo. A pressão de baixa observada em janeiro e no início de fevereiro teve componente sazonal. No fim do ano, os produtores costumam reter vendas após equilibrar o caixa e, em janeiro, retornam ao mercado para gerar liquidez antes da colheita da soja, elevando a oferta de milho e pressionando os preços. Com o avanço da soja e a retração das vendas do cereal, essa pressão diminuiu. O espaço para novas quedas é limitado.
Pode haver pressão pontual no fim de maio e início de junho, com a entrada do milho da nova safra em Mato Grosso, mas o mais provável é um viés de sustentação ao longo do ano, com a demanda doméstica para ração e etanol. As exportações devem recuar em relação ao ano passado por restrição de oferta. Apesar de o estoque inicial ser cerca de cinco vezes superior ao do ano anterior, estimado entre 9 milhões e 10 milhões de toneladas, o balanço segue apertado. A indústria tem dificuldade de originar volumes maiores e opera da mão para a boca, enquanto os produtores retêm oferta na expectativa de preços mais altos. O mercado à vista está travado, com negócios pontuais, já que a sinalização futura não estimula vendas imediatas. O mercado físico de milho opera sob um impasse severo, com uma distância de até R$ 10,00 por saca de 60 Kg entre as indicações de compra e venda.
No Paraná, na região de Curitiba, os produtores tentam segurar o preço em R$ 70,00 por saca de 60 Kg CIF. As indústrias, voltando lentamente do ritmo de feriado, testam patamares menores. A logística voltada para a soja também encarece o transporte do cereal. O comprador não quer explorar o preço porque sabe que tem grão disponível, e o vendedor está esperando preços mais altos. Assim, o mercado fica travado. Apesar disso, o setor de etanol de milho e a exportação de carnes têm garantido um "piso" para as cotações, impedindo quedas livres. Para 2ª safra de 2026, os compradores indicam entre R$ 58,00 e R$ 60,00 por saca de 60 Kg CIF, enquanto os produtores buscam níveis de R$ 65,00 por saca de 60 Kg CIF, para cobrir os custos.
Em Mato Grosso, na região de Sorriso, o milho spot encontra suporte nas usinas de etanol. A indicação é de R$ 48,00 por saca de 60 Kg FOB, para embarque em abril e pagamento em maio, via cooperativas. Diretamente com o produtor, indicação de comercialização imediata está entre R$ 42,00 e R$ 43,00 por saca de 60 Kg FOB, patamar que não é considerado atrativo. Para 2ª safra de 2026, a negociação é lenta. Os compradores indicam R$ 43,00 por saca de 60 Kg FOB, diretamente com o produtor, e entre R$ 45,00 e R$ 46,00 por saca de 60 Kg FOB via cooperativas, para pagamento até setembro.