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26/Feb/2026

Preço do milho estável e preocupação com 2ª safra

O mercado brasileiro de milho dá sinais de que pode ter encerrado o movimento de baixa observado em janeiro e fevereiro, em meio ao atraso no plantio 2ª safra de 2026 e mudanças no fluxo regional de oferta. O mercado ainda opera com cautela no curto prazo, sustentado pela entrada do milho da safra de verão (1ª safra 2025/2026) e pelos remanescentes da 2ª safra de 2025 (recorde). O espaço para novas quedas é limitado. A pressão vista no início do ano esteve ligada à necessidade de liberar armazéns para a soja. Esse movimento, porém, tende a perder força. No campo, o atraso da colheita da soja encurta a janela ideal da 2ª safra de 2026, que começa a estourar nesta semana em várias regiões. Nas próximas duas semanas, o mercado deve reagir mais diretamente ao noticiário climático.

Se aparecer indicativo de corte de chuva para o fim de abril, pode haver corrida por milho. O risco passa a ser monitorado com mais atenção. Além da questão climática, há uma possível mudança estrutural no abastecimento da Região Sul do País. Santa Catarina e Rio Grande do Sul tradicionalmente dependem de milho do Paraguai, mas relatos indicam quebra de safra e aumento da demanda interna paraguaia, impulsionada por novas usinas de etanol. Há indicativo de que o Paraguai pode deixar de exportar e até virar importador. Isso muda o panorama e aumenta a disputa pelo milho do Paraná e de Mato Grosso do Sul. Esse rearranjo regional tende a apertar o mercado interno ao longo do ano, mesmo que a produção total brasileira ainda seja relevante.

Em Mato Grosso, na região de Primavera do Leste, o milho disponível enfrenta baixa demanda. O consumo tradicional dos Estados das Regiões Sul e Sudeste, que costumavam buscar milho em Mato Grosso nesta época, está sendo suprido pela boa produtividade da safra de verão (1ª safra 2025/2026) do Paraná e do Rio Grande do Sul. Por esse motivo, a demanda por milho spot está fraca, com indicações de fábricas de ração que não passam de R$ 48,00 a R$ 49,00 por saca de 60 Kg CIF, enquanto os vendedores indicam R$ 52,00 por saca de 60 Kg FOB. Com relação à 2ª safra de 2026, o risco de janela curta devido ao atraso da soja ainda não foi precificado. Negócios para o mercado interno chegam a R$ 48,00 por saca de 60 Kg CIF, para entrega em agosto e pagamento em setembro, enquanto a exportação indica R$ 46,00 por saca de 60 Kg FOB. O produtor prefere esperar o plantio e o desenvolvimento inicial antes de indicar preços.

No Paraná, o milho segue lateralizado. Na região de Cascavel, a oferta do milho safra de verão (1ª safra 2025/2026) é boa e a demanda, embora confortável para o comprador, mantém os preços sem fôlego. No spot, as fábricas de ração indicam entre R$ 61,00 e R$ 62,00 por saca de 60 Kg CIF, para entrega e pagamento imediatos. Os vendedores indicam entre R$ 64,00 e R$ 65,00 por saca de 60 Kg, em iguais condições. Quanto à 2ª safra de 2026, fábricas de ração de Santa Catarina indicam R$ 60,00 por saca de 60 Kg FOB, para entrega em agosto e pagamento em setembro. No Porto de Paranaguá, tradings indicam entre R$ 66,00 e R$ 67,00 por saca de 60 Kg CIF. Já começa a formar o cenário de projeção lateralizada em R$ 60,00 por saca de 60 Kg para 2ª safra de 2026 por enquanto. A janela ideal de plantio no Paraná, até 20 de fevereiro, já se encerrou, e a preocupação agora se volta para o clima de março e abril, com expectativa para a fase de polinização, e o risco de geadas em maio. A formação de um El Niño Costeiro, que pode trazer irregularidades climáticas. A preocupação é com a geada que pode vir mais cedo.