ANÁLISES

AGRO


SOJA


MILHO


ARROZ


ALGODÃO


TRIGO


FEIJÃO


CANA


CAFÉ


CARNES


FLV


INSUMOS

24/Feb/2026

Preço do milho pode subir com atraso na 2ª safra

O mercado brasileiro de milho inicia a semana atento aos atrasos no plantio da 2ª safra de 2026 em parte da Região Centro-Oeste, enquanto os ajustes preliminares de área nos Estados Unidos têm impacto limitado sobre a formação de preços no Brasil. O potencial produtivo elevado e a competitividade dos Estados Unidos nas exportações mantêm o cenário externo relativamente estável. Os preços não reagiram de forma significativa. Não há, neste momento, um fator externo que mexa diretamente com o preço do milho no Brasil. No mercado doméstico, a dinâmica é diferente. Já há especulação em torno da 2ª safra de 2026 diante de atrasos pontuais no plantio, devido ao clima. Isso gera movimentos de antecipação de compra. Ainda assim, Mato Grosso, principal produtor, não apresenta risco generalizado.

Os maiores atrasos concentram-se em Goiás e Mato Grosso do Sul. Em Goiás, o atraso é significativo, e pode haver redução da área efetivamente plantada. Mato Grosso do Sul também apresenta atraso, e o Paraná tem um leve descompasso, embora ainda dentro de uma janela administrável. Apesar de o Brasil ter iniciado o ano com estoque de passagem relativamente confortável, eventuais quebras na 2ª safra de 2026 costumam ser expressivas. No mercado físico, a liquidez varia conforme a localidade. Há relatos de dificuldade de originação por parte de compradores. O produtor vinha indicando preços mais altos, e os negócios ocorrem quando o comprador se aproxima desse nível. Além disso, o foco do produtor está mais direcionado para soja. Há expectativa de que, se houver problema na 2ª safra de 2026, o milho possa valer mais à frente.

Em Mato Grosso, na região de Sorriso, o mercado de milho opera em um cenário marcado por preços baixos no spot e um impasse estratégico em relação ao suprimento de entressafra. Os preços seguem bem abaixo das pedidas de compradores. As indústrias locais, que estão bem compradas até meados de abril, indicam R$ 42,00 saca de 60 Kg FOB, na negociação direta com o produtor, ou R$ 45,00 saca de 60 Kg FOB, via cooperativas. Como o excesso de chuva atrasou a colheita da soja e muitos produtores perderão a janela ideal do milho, pode faltar produto em maio e junho, o que valorizaria o estoque de quem conseguir segurar o grão agora. Com relação à 2ª safra de 2026, a comercialização segue lenta, mas há registro pontual de grandes volumes para trading a R$ 50,00 saca de 60 Kg, para outubro.

No Paraná, na região de Ponta Grossa, a produtividade do milho safra de verão (1ª safra 2025/2026) é boa, mas o mercado não acompanha esse ritmo. Fábricas de ração indicam R$ 58,00 por saca de 60 Kg FOB, enquanto o vendedor indica R$ 62,00 por saca de 60 Kg. A falta de espaço nos armazéns e a necessidade de caixa devem forçar uma maior oferta, o que pode pressionar os preços. Quanto à 2ª safra de 2026, não há indicações claras de compra para o próximo ciclo. Os produtores estão focados na colheita da soja e no manejo do milho safra de verão (1ª safra 2025/2026). Além disso, o mercado aguarda a chegada de março para ver se compradores e vendedores se animam.