23/Feb/2026
As negociações envolvendo milho são pontuais no Brasil, sobretudo devido ao recesso de Carnaval. Os preços, contudo, continuam firmes. O suporte segue vindo da restrição de produtores, que estão focados nas atividades de campo, e da postura firme dos poucos vendedores que estão ativos no spot nacional. Do lado comprador, muitos esbarram nos maiores preços indicados pelo vendedor e outros alegam dificuldades logísticas; a prioridade tem sido a entrega de soja. No campo, as atividades seguem de forma satisfatória, com preocupações pontuais relacionadas à falta de chuvas em localidades da Região do Sul do País. Caso o clima não melhore, o desenvolvimento das lavouras já semeadas pode ser prejudicado. O Indicador ESALQ/BM&F (Campinas - SP) está cotado a R$ 68,80 por saca de 60 Kg, alta de 1,7% nos últimos sete dias. No acumulado deste mês, a elevação chega a 4%. Nos últimos sete dias, observam-se elevações de 0,5% no mercado de balcão (valor pago ao produtor) e de 0,1% no mercado de lotes (negociações entre as empresas).
Nos portos, a liquidez no spot está baixa, mas as exportações em fevereiro apresentam ritmo acima do registrado há um ano. Esse desempenho reflete as negociações antecipadas. Dados da Secretaria de Comercio Exterior (Secex) mostram que, nos 10 primeiros dias úteis de fevereiro, foram embarcadas 992,69 mil toneladas de milho, o que representa quase 70% de todo o volume escoado há um ano. No Porto de Paranaguá (PR), o preço do milho se mantém estável, operando na casa dos R$ 65,00 por saca de 60 Kg. A colheita de milho da safra de verão (1ª safra 2025/2026) e o cultivo da 2ª safra de 2026 seguem firmes, favorecidos pelo clima. Até o dia 14 de fevereiro, a semeadura da 2ª safra de 2026 registra média nacional de 32,2%, avanço semanal de 10,6%, mas abaixo dos 38,6% da média das últimas cinco safras, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). As atividades estão mais avançadas no Paraná e em Mato Grosso. No Paraná, a área semeada totaliza 22% do total esperado, com um bom desenvolvimento das lavouras já implantadas, segundo os dados da Conab até o dia 14 de fevereiro.
Em Mato Grosso, o Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea) indica que a semeadura atingiu 46,07% da área esperada, forte avanço de 17,77% até o dia 13 de fevereiro. Em Mato Grosso do Sul, a área semeada, até o dia 13 de fevereiro, chegou em 15,5%, segundo a Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso do Sul (Famasul). Até o momento, a expectativa é de produção de 11,13 milhões de toneladas no Estado, 20% inferior à da temporada anterior, reflexo da menor produtividade (-22%). Quanto à safra de verão (1ª safra 2025/2026), foram colhidos 14,9% da área nacional até o dia 14 de fevereiro, segundo a Conab. No Paraná, a Conab indicou que 18% do cereal foi colhido. No Rio Grande do Sul, os produtores colheram 58% das lavouras, conforme o relatório da Emater-RS do dia 19 de fevereiro, avanço de 8% na comparação com a semana anterior. Nos Estados Unidos, as exportações seguem aquecidas, mas preocupações relacionadas à demanda interna para produção de etanol e as desvalorizações do trigo pressionam os vencimentos futuros do cereal.
Com isso, na Bolsa de Chicago, os vencimentos Março/2026 e Maio/2026 registram recuo de 1,3% e 1,2% nos últimos sete dias, a US$ 4,25 por bushel e a US$ 4,36 por bushel, respectivamente. Na Argentina, com a semeadura finalizada, as atenções se voltaram ao movimento de greve contra as reformas trabalhistas do governo local, que paralisou portos e interrompeu os embarques desde o dia 18 de fevereiro, e compromete as entregas dos contratos internacionais do cereal. No dia 19 de fevereiro, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) apresentou as primeiras estimativas para a safra 2026/2027 dos Estados Unidos, apontando reduções na produção, no consumo interno, nas exportações e nos estoques ao final da temporada. Até o momento, a produção deve ser 7% inferior à de 2025/2026, enquanto a área é estimada para diminuir 4,8%. Com a maior participação da América do Sul nas transações internacionais, as exportações norte-americanas devem cair 6%. Assim, os estoques dos Estados Unidos ao final da temporada estão estimados em 46,66 milhões de toneladas, 13% inferiores aos previstos para 2025/2026. Fonte: Cepea. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.