23/Feb/2026
Segundo a Céleres, o plantio do milho 2ª safra de 2026 alcançou 31% da área prevista no Brasil, 6% abaixo da média histórica de 37% para o período. O atraso provocado pelas chuvas que travam a colheita da soja já se traduz em maior pressão logística e ampliação do desconto no campo. O calendário mais apertado reduz a janela de desenvolvimento da cultura antes das chuvas de outono e compromete o potencial produtivo do ciclo. A 2ª safra de milho é semeada logo após a liberação das áreas ocupadas pela soja, principalmente na Região Centro-Oeste. Com a colheita da oleaginosa em apenas 23% do total, abaixo da média histórica de 26% a 28%, o milho entra no ciclo em desvantagem de tempo. Chuvas atrasam colheita e plantio, elevando custos logísticos e pressionando o basis, reduzindo a margem do produtor. Apesar do atraso no campo, a comercialização da 2ª safra de 2026 avança em ritmo acima da média, com 29% do volume negociado ante o histórico de cerca de 25% para o período.
O movimento é atribuído à necessidade de caixa do produtor para honrar compromissos da safra de verão (1ª safra 2025/2026), ainda que as cotações sigam pressionadas pelo câmbio e pela oferta interna. A margem do milho, contudo, sustenta melhor desempenho relativo do que a soja neste ciclo. Em Mato Grosso, o cereal gerou 4,6 sacas de 60 Kg de lucro por hectare no ciclo atual. No consolidado das duas culturas, a rentabilidade média recuou de 16,6 sacas de 60 g por hectare na safra passada para 10,9 sacas de 60 Kg neste ciclo, com custos de produção em alta e preços em queda. Para o produtor, o milho tende a oferecer melhor sustentação de margens no curto prazo. O fundamento externo reforça esse diferencial. Enquanto os estoques globais de soja permanecem em nível historicamente elevado e a relação estoque/consumo segue confortável, o milho segue trajetória distinta. No milho, o quadro é de ajuste gradual, com estoques mais enxutos diante da demanda firme por ração e etanol.
Na variação regional de janeiro a fevereiro, o Cerrado registrou recuo nas cotações do cereal, pressionado pelos preços da commodity e pelo dólar mais fraco. A Região Sul e o Matopiba (Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia) apresentaram desempenho menos negativo, com algumas mesorregiões registrando leve alta. A diferença reflete tanto o estágio de comercialização em cada região quanto a proximidade dos centros de consumo e os custos de frete, que pesam de forma desigual no basis local. O ritmo do plantio nas próximas duas semanas será o principal indicador a acompanhar. Se as chuvas cederem e permitirem aceleração nas operações de campo, parte do atraso ainda pode ser absorvida sem comprometimento relevante de produtividade. Caso o calendário não se normalize, o impacto sobre a oferta interna de milho no segundo semestre pode dar suporte adicional aos preços no campo, em um mercado que já opera com estoques globais mais enxutos do que o da soja. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.