13/Feb/2026
O etanol de milho consolida-se como um dos vetores mais dinâmicos da matriz de biocombustíveis no Brasil. A expectativa é que o País encerre o atual ano-safra com produção próxima de 10 bilhões de litros, volume que já representa cerca de um terço de todo o mercado nacional de etanol.
Nos últimos oito anos, o segmento apresentou taxas médias de expansão superiores a 30% ao ano. Para a próxima safra, com início em abril, as projeções preliminares apontam crescimento adicional de aproximadamente 20%, o que pode elevar a produção para patamar próximo de 12 bilhões de litros.
A rápida expansão da oferta impõe ao setor o desafio de desenvolver novos mercados consumidores. As estimativas indicam que, na safra 2026/27, a produção total de etanol no Brasil poderá adicionar entre 10% e 12% de oferta em um único ciclo. Diante de um consumo projetado crescendo cerca de 2% ao ano, o desequilíbrio potencial entre oferta e demanda exige estratégia de expansão de mercado.
Expansão do consumo e interiorização da oferta
Atualmente, o consumo relevante de etanol hidratado concentra-se em seis estados produtores: São Paulo, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás, Paraná e Minas Gerais. Em regiões como Sul, Norte e Nordeste, o consumo ainda é limitado pelo diferencial de preços em relação à gasolina.
Nesse contexto, a expansão das biorrefinarias de milho tende a contribuir para pulverizar a oferta e reduzir custos logísticos, estimulando o consumo local. Estão previstas oito novas plantas apenas neste ano, com investimentos concentrados no Centro-Oeste, mas também avançando para o Sul e para o Matopiba.
No Sul, três novas unidades utilizarão trigo e triticale de menor qualidade industrial, direcionando matérias-primas que não atendem ao padrão de panificação para produção de biocombustível, ampliando a eficiência do sistema agroindustrial.
Capacidade instalada e potencial de expansão
O Brasil conta atualmente com 25 biorrefinarias em operação, número que pode alcançar cerca de 33 unidades até o fim de 2026. Há ainda aproximadamente 20 projetos em estudo. A capacidade de produção pode dobrar até 2032, alcançando algo próximo de 20 bilhões de litros, desde que haja expansão consistente da demanda.
A sustentabilidade dos investimentos está diretamente vinculada à capacidade de absorção do mercado interno e à abertura de novos canais externos.
Novas fronteiras de demanda
Além da expansão no consumo doméstico, o setor aposta em aplicações estratégicas de médio e longo prazo, como:
Produção de combustível sustentável de aviação (SAF);
Uso no transporte marítimo internacional;
Exportação para países que ampliam a mistura obrigatória de etanol à gasolina.
A transição energética global abre espaço para crescimento adicional. Mesmo com a forte expansão recente, o volume brasileiro ainda é pequeno diante do potencial de substituição parcial de combustíveis fósseis em setores como navegação e aviação.
O etanol de milho, portanto, entra em uma nova fase: após um ciclo de expansão acelerada da capacidade produtiva, o desafio passa a ser a consolidação da demanda, com equilíbrio entre crescimento sustentável da oferta e diversificação dos mercados consumidores.
Fonte: CNN Brasil. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.