12/Feb/2026
O mercado brasileiro de milho opera sob uma dinâmica de preços de corte, em que a liquidez surge apenas quando as indicações de compra atingem o nível de resistência dos produtores. Apesar de o relatório recente do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos reforçar a percepção de oferta global volumosa, o foco doméstico permanece dividido entre a sustentação da rentabilidade no Sul, apoiada pela demanda das fábricas de ração, e a restrição de oferta no Centro-Oeste, onde produtores que ainda detêm estoques antigos mantêm pedidas elevadas.
No Paraná, o milho verão segue com mercado equilibrado e sem pressão de oferta imediata, uma vez que a colheita deve ganhar ritmo apenas após o pico dos trabalhos com a soja. A demanda regional é sustentada principalmente pelo setor de proteína animal, enquanto as tradings concentram atenção na comercialização da oleaginosa.
No oeste paranaense, as negociações oscilam entre R$ 60 e R$ 62 por saca FOB, patamar considerado rentável para quem está colhendo neste momento, mas menos atrativo para produtores que armazenaram a 2ª safra anterior, em função do custo financeiro e de estocagem.
A comercialização da 2ª safra 2026 avança lentamente. As indicações de mercado variam entre R$ 58 e R$ 60 por saca FOB, enquanto parte dos vendedores sinaliza que apenas volumes mais relevantes seriam liberados em uma faixa entre R$ 64 e R$ 65 por saca. Diante da ausência de estímulo adicional, prevalece a postura de espera até maior clareza sobre o potencial produtivo.
Em Sinop, no Norte de Mato Grosso, o mercado também apresenta ritmo lento. Observa-se diferença de aproximadamente R$ 5,00 por saca entre a pedida do produtor e a indicação do comprador. Indústrias de etanol ofertam R$ 45 por saca CIF para entrega imediata, enquanto produtores que ainda possuem estoque da safra passada pedem ao menos R$ 50 por saca.
Para a 2ª safra 2026, os negócios operam próximos de R$ 45 por saca CIF ou FOB, para entrega ou embarque entre julho e agosto, tanto para a indústria quanto para exportação via cooperativas.
O cenário permanece cauteloso, com o mercado monitorando o risco de plantio fora da janela ideal, que na região Centro-Oeste se encerra por volta de 20 de fevereiro. Caso o atraso avance e comprometa o potencial produtivo, pode haver reação pontual nas cotações. Ainda assim, a percepção predominante é de que o milho encontra resistência próxima de R$ 50 por saca, nível que tende a estimular maior volume de vendas por parte dos produtores.