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09/Feb/2026

Preços do milho ganham sustentação com altas externas

O movimento de queda nos preços do milho, observado até o encerramento de janeiro na maior parte das regiões acompanhadas, foi interrompido em algumas praças do Brasil ao longo da última semana. A mudança de comportamento reflete, principalmente, a postura mais firme de parte dos produtores, que passaram a resistir a novas negociações em patamares mais baixos.

Outro fator de suporte aos preços foi o avanço da colheita da soja, que vem reduzindo a disponibilidade de fretes para o milho. Esse cenário logístico limita a pressão vendedora sobre o cereal, ainda que não elimine completamente as desvalorizações em regiões com maior necessidade de comercialização.

Apesar disso, produtores com necessidade de fazer caixa ou de liberar espaço nos armazéns seguem ofertando o milho, o que mantém diferenças regionais no comportamento dos preços. Do lado da demanda, compradores permanecem majoritariamente afastados, aguardando maior oferta com o avanço dos trabalhos de campo e a possibilidade de aquisição de novos lotes a preços mais baixos.

Preços no mercado interno

Entre 29 de janeiro e 5 de fevereiro, o Indicador ESALQ/BM&FBovespa, referente à região de Campinas (SP), avançou 0,8%, encerrando o período a R$ 66,49 por saca de 60 kg. Nas regiões paulistas de Itapeva e Mogiana, os preços subiram 0,5% e 2,5%, respectivamente.

Em contrapartida, houve recuo nas cotações em Dourados (MS) e Sorriso (MT), com quedas de 4,4% e 1,1%, respectivamente, no mesmo intervalo. Nas regiões em colheita da safra verão, como Santa Rosa (RS) e Ponta Grossa (PR), as desvalorizações foram de 1,9% e 1,5%, nesta ordem.

Na média das regiões acompanhadas, entre 29 de janeiro e 5 de fevereiro, os preços recuaram 2,6% no mercado de balcão (preço pago ao produtor) e 1,2% no mercado de lotes (negociação entre empresas).

Mercado internacional

Nos Estados Unidos, os contratos futuros de milho passaram a maior parte da semana em alta. O movimento foi sustentado pela valorização do petróleo e do trigo, pelo ritmo firme das exportações do cereal norte-americano e por preocupações com o tempo seco em áreas produtoras da Argentina.

Na Bolsa de Chicago (CME Group), entre 29 de janeiro e 5 de fevereiro, o contrato Março/26 subiu 1%, encerrando a US$ 4,35 por bushel, equivalente a US$ 171,25 por tonelada. Os vencimentos Maio/26 e Julho/26 avançaram 0,9% e 0,8%, respectivamente, para US$ 4,43 por bushel (US$ 174,40/t) e US$ 4,4925 por bushel (US$ 176,86/t).

Exportações e estoques

As exportações brasileiras de milho totalizaram 4,24 milhões de toneladas em janeiro, volume 18% superior ao registrado no mesmo período do ano anterior. No acumulado da temporada 2024/25 (fevereiro a janeiro), os embarques somam 41,62 milhões de toneladas, alta de 8% em relação ao mesmo intervalo da temporada 2023/24.

Com base nos dados de suprimento da temporada 2024/25, estimados em 144,61 milhões de toneladas (produção, importações e estoques iniciais), consumo de 90,55 milhões de toneladas e exportações próximas de 42 milhões de toneladas, o estoque de passagem no início de fevereiro é estimado em cerca de 12 milhões de toneladas, bem acima das 1,8 milhão de toneladas observadas em janeiro do ano anterior.

Somados a produção da safra verão, estimada em 25,89 milhões de toneladas, e os estoques de passagem, o volume disponível representa aproximadamente 40% do consumo total estimado para 2026.

As negociações no mercado spot já mostram desaceleração com o avanço da safra verão, especialmente em função da priorização logística dos envios de soja. Para a temporada 2025/26, a expectativa é de crescimento das exportações, estimadas em 46,5 milhões de toneladas.

Campo

A colheita da safra verão ocorre em ritmo mais intenso nos principais estados produtores. O avanço nacional alcança 8,6% da área, após incremento semanal de 1,2 ponto percentual. No Paraná, a colheita atinge 10% da área, enquanto em Santa Catarina soma 5,5%. No Rio Grande do Sul, a área colhida chega a 35%, acima dos 28% da semana anterior.

Para a segunda safra, a semeadura alcança 12% da área nacional, acima dos 5,3% observados no mesmo período do ano anterior. Em Mato Grosso, a semeadura atinge 15,59% da área, enquanto no Paraná soma 12%, abaixo dos 28% registrados no mesmo período da safra passada.

Na Argentina, a semeadura atinge 99% da área, mas a falta de chuvas em partes de Córdoba reduziu o potencial produtivo. A estimativa de produção foi ajustada para 57 milhões de toneladas, ante 58 milhões da projeção anterior.

Fonte: Cepea, Secex, Conab. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.