06/Feb/2026
O mercado brasileiro de milho permanece pressionado na B3, refletindo estoques de passagem elevados e a expectativa de aumento de área da segunda safra. No mercado físico, a liquidez segue travada, com compras pontuais por parte das indústrias e prioridade ao consumo de estoques próprios. Ainda assim, a leitura predominante é de que a demanda doméstica estabelece um piso relevante para as cotações, limitando espaço para quedas adicionais no curto prazo.
O risco climático da segunda safra ainda não está incorporado aos preços futuros, em grande parte pela memória recente de uma temporada excepcional, quando, apesar de atrasos na semeadura, as condições climáticas favoreceram produtividades elevadas e resultaram na maior segunda safra da história. Esse histórico, somado ao estoque confortável, mantém os contratos sob pressão. Ao mesmo tempo, o ambiente de rentabilidade tem estimulado a ampliação da área cultivada com milho em diferentes regiões, inclusive com migração de áreas antes destinadas a outras culturas.
O aumento de área embute um potencial produtivo elevado para a próxima segunda safra, o que limita reações mais consistentes de preços no curto prazo. Ainda assim, a força do consumo interno reduz o risco de quedas mais profundas. À medida que as cotações recuam, indústrias tendem a retornar ao mercado, inicialmente com compras de curto prazo e, em níveis mais atrativos, com alongamento de estoques.
Esse suporte vem principalmente da cadeia de proteínas animais e do etanol. A demanda do setor pecuário tende a crescer ao longo do ano, acompanhando o bom desempenho das exportações de carnes, enquanto o consumo de milho para etanol segue em trajetória de expansão, com entrada de novas usinas e maior uso do cereal como matéria-prima. Esse conjunto de fatores contribui para estabilizar o mercado.
Para que o milho volte a apresentar uma trajetória de alta mais consistente, o gatilho principal segue sendo o clima. Embora fevereiro e março possam trazer alguma volatilidade especulativa, o período decisivo para a definição da produtividade será abril, especialmente durante a fase de formação da espiga, quando o mercado tende a precificar de forma mais clara eventuais problemas climáticos.
No norte de Mato Grosso, as vendas no mercado spot estão restritas a demandas pontuais de fábricas de ração. As indicações giram entre R$ 47 e R$ 48 por sacas FOB, com entrega em abril e pagamento em maio. Produtores que ainda detêm milho da segunda safra anterior evitam se posicionar no curto prazo em função dos fretes elevados, ocupados majoritariamente pelo escoamento da soja, o que desloca as melhores oportunidades de embarque para a partir de abril.
Do lado vendedor, produtores que perderam o momento de venda no fim do ano passado passaram a ceder nas pedidas, oferecendo milho a R$ 50 por sacas FOB, com embarque imediato e pagamento em março, abaixo dos níveis próximos de R$ 60 por sacas observados semanas atrás. Para a segunda safra 2026, o mercado indica preços mais baixos, com referências entre R$ 43 e R$ 44 por sacas FOB para embarque e pagamento em agosto, e entre R$ 45 e R$ 47,50 por sacas FOB em operações mais alongadas. Fonte: Cogo Inteligência em Agronegócio.