05/Feb/2026
O mercado brasileiro de milho tenta formar uma base de suporte após devolver parte dos ganhos observados nos contratos mais longos da B3 em janeiro. O ambiente segue marcado por negociações físicas lentas, estoques elevados e atenção crescente ao ritmo de plantio da 2ª safra, com os fundamentos internos exercendo maior influência sobre a formação de preços no curto prazo.
A correção registrada ao longo de janeiro refletiu o elevado estoque de passagem no País e o avanço da colheita da primeira safra, que tende a superar o volume do ciclo anterior. A valorização do Real frente ao dólar também contribuiu para a pressão sobre as cotações domésticas, somando-se às oscilações do mercado internacional, que seguem como referência para o milho brasileiro.
Mais recentemente, o foco do mercado passou a se concentrar na dinâmica da 2ª safra. O excesso de chuvas no Centro-Oeste tem limitado o avanço do plantio em algumas regiões, especialmente em Mato Grosso, ainda que, até o momento, sem comprometer a janela ideal. A expectativa é de que, com a melhora das condições climáticas, haja capacidade operacional para acelerar os trabalhos de campo. Essa combinação entre colheita da soja, implantação do milho da 2ª safra e persistência das chuvas passou a oferecer algum suporte às cotações, interrompendo o movimento de queda observado anteriormente.
Apesar da estabilização recente, não há indicação de uma reversão consistente de tendência. O cenário produtivo permanece favorável, com expectativa de aumento de área e mapas climáticos positivos para fevereiro, março e abril nas regiões produtoras da 2ª safra. A projeção segue apontando para uma safra total semelhante à do ciclo anterior, somando primeira e 2ª safra. Mesmo com crescimento do consumo interno e potencial de exportação mais elevado, o estoque doméstico tende a permanecer em patamar confortável.
No mercado físico de Mato Grosso, o ambiente segue pressionado. Em Primavera do Leste, as indicações para o milho disponível giram em torno de R$ 51 por saca FOB, com embarque em março e pagamento em abril, enquanto negociações diretas com produtores ocorrem em níveis próximos de R$ 49 por saca FOB. Trata-se de milho remanescente de safras anteriores, com elevado custo financeiro embutido, o que limita a disposição de venda nesses patamares.
A demanda das usinas ocorre de forma pontual, com compras apenas para atender necessidades imediatas, sem formação de estoques. Do lado da oferta, vendedores buscam referências próximas de R$ 55 por saca FOB, mas encontram resistência diante da postura cautelosa dos compradores.
Para a 2ª safra 2026, a principal preocupação é climática. O atraso na colheita da soja reduziu a janela de plantio do milho, e a previsão de chuvas intensas nas próximas semanas aumenta o risco operacional. Enquanto parte dos vendedores tenta ofertar milho a R$ 55 por saca FOB, com embarque em setembro e pagamento em outubro, as indicações de compra permanecem entre R$ 48 e R$ 49 por saca FOB, refletindo a cautela do mercado diante das incertezas produtivas. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.