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04/Feb/2026

Milho global entra em 2026 sob pressão de oferta elevada

O mercado global de milho inicia 2026 sob forte pressão de oferta, sustentada por uma safra histórica nos Estados Unidos, enquanto o Brasil perde espaço relativo nas exportações em função do avanço estrutural do consumo doméstico, impulsionado pelo etanol de milho. Esse movimento redefine o equilíbrio global do cereal e ajuda a explicar a manutenção de preços pressionados no mercado internacional.

O relatório de janeiro de oferta e demanda confirmou que os Estados Unidos encerraram 2025 com produção recorde, resultado de produtividade inédita, estimada em 11,7 toneladas por hectare, e de uma área colhida quase 10% superior à de 2024. Com isso, a produção total norte-americana se aproximou de 432 milhões de toneladas, o maior volume já registrado. Em um contexto de crescimento limitado do consumo interno, o balanço ficou fortemente carregado pelo lado da oferta, reforçando a percepção de mercado amplamente abastecido e contribuindo para o retorno das cotações em Chicago às mínimas recentes.

Apesar do excesso de oferta, as exportações dos Estados Unidos caminham para níveis elevados, sustentadas principalmente pela competitividade de preços. A ampla disponibilidade de milho mantém os valores FOB americanos difíceis de serem superados por outros exportadores. Esse desempenho é reforçado pela maior demanda do México, pelo realinhamento de fluxos comerciais e pela fraqueza do consumo doméstico nos Estados Unidos. O fechamento contínuo da fronteira para o gado vivo deslocou parte da engorda para o território mexicano, elevando a demanda por ração e consolidando os Estados Unidos como principal fornecedor por razões logísticas. Além disso, acordos comerciais ampliaram compras americanas, com destaque para o Vietnã, que registrou volumes expressivos de importação de milho dos Estados Unidos em 2025.

No Brasil, embora o País siga como o segundo maior exportador global, observa-se uma perda estrutural de participação no comércio internacional. Esse movimento está diretamente ligado ao crescimento acelerado do etanol de milho. A produção do biocombustível avançou cerca de 25% em 2025, alcançando aproximadamente 9,6 bilhões de litros, e deve chegar a 12,4 bilhões de litros em 2026. Esse nível de atividade implica consumo superior a 28 milhões de toneladas de milho pelas usinas, reduzindo de forma significativa o excedente disponível para exportação.

Ao mesmo tempo, a produção brasileira tende a recuar após o desempenho excepcional de 2025. A 2ª safra ainda não foi totalmente implantada, e a repetição de rendimentos tão elevados é considerada improvável. A combinação de maior consumo interno com oferta potencialmente menor reforça a retração da presença brasileira no mercado internacional ao longo de 2026.

As tensões comerciais envolvendo os Estados Unidos não devem gerar oportunidades relevantes para o milho brasileiro, diferentemente do que ocorreu com a soja em 2018. A China, principal destino potencial, encontra-se amplamente autossuficiente, com produção superior a 300 milhões de toneladas e elevados estoques. Além disso, margens pressionadas no setor de proteína animal chinês limitam a expansão da demanda por ração, reduzindo o espaço para importações adicionais.

Para o restante do ano, há riscos de ajuste no balanço global, especialmente diante da expectativa de redução da área plantada com milho nos Estados Unidos. Custos elevados de insumos favorecem a soja na disputa por área, enquanto as margens do milho permanecem pressionadas. Ainda assim, no curto prazo, o mercado global segue amplamente abastecido, o que tende a limitar movimentos de recuperação mais consistentes nos preços. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.