ANÁLISES

AGRO


SOJA


MILHO


ARROZ


ALGODÃO


TRIGO


FEIJÃO


CANA


CAFÉ


CARNES


FLV


INSUMOS

03/Feb/2026

Milho inicia fevereiro sob pressão na B3 e no físico

O mercado brasileiro de milho inicia fevereiro com preços pressionados na B3 e negociações físicas ainda lentas, em um ambiente influenciado pela recente valorização do real, pela expectativa de uma 2ª safra volumosa e pela postura cautelosa tanto de compradores quanto de vendedores. A correção observada nos contratos mais longos da bolsa reflete, principalmente, o movimento cambial, sem alteração relevante nos fundamentos estruturais de oferta e demanda.

A apreciação do real frente ao dólar tem exercido impacto direto sobre as cotações futuras do milho, reduzindo a competitividade do produto brasileiro e pressionando os preços na B3. Esse fator financeiro se soma ao cenário de campo, marcado pelo avanço consistente do plantio da 2ª safra, especialmente em regiões de alta relevância produtiva, o que reforça a percepção de ampla oferta adiante e limita a sustentação das cotações futuras.

No mercado físico, a dinâmica segue lateralizada, com negociações pontuais e foco na recomposição de estoques imediatos. A atuação dos compradores permanece restrita a necessidades de curto prazo, enquanto vendedores evitam movimentos mais agressivos diante da ausência de sinais claros de reação de preços. Esse comportamento resulta em um mercado de baixa liquidez, com negócios esporádicos e pouca formação de referência firme.

Do ponto de vista comercial, o ambiente atual tem reforçado a necessidade de disciplina por parte dos produtores, sobretudo daqueles com restrições de armazenagem. Em algumas regiões, os preços disponíveis apresentaram queda relevante ao longo das últimas semanas, o que reduz a atratividade de estratégias de retenção do produto. Nesse contexto, a decisão de venda passa a depender cada vez mais da avaliação das margens industriais e da possibilidade de novas acomodações de preços no curto prazo.

A perspectiva imediata segue limitada em termos de fatores de sustentação. Além do câmbio mais valorizado, o mercado internacional também restringe movimentos de alta, uma vez que as referências externas continuam exercendo influência negativa sobre a formação de preços no mercado doméstico. Esse conjunto de variáveis mantém o milho sob pressão neste início de fevereiro.

Em importantes polos produtores do Centro-Oeste, o mercado disponível apresenta baixa movimentação, com a logística concentrada na soja e ausência de concorrência das exportações. Esse cenário deixa o mercado doméstico mais isolado, conferindo maior poder de barganha às indústrias compradoras. Como resultado, os preços atuais se situam em níveis significativamente inferiores aos observados no final do ano anterior.

No mercado spot, as indicações para embarque imediato e pagamento diferido giram em torno de patamares mais baixos, embora a oferta física seja limitada em algumas regiões. A escassez pontual de produto não tem sido suficiente para estimular uma reação de preços, uma vez que indústrias e fábricas de ração se mostram bem abastecidas e pouco agressivas nas compras.

Em relação à comercialização da 2ª safra 2026, o ritmo permanece lento, ainda que ocorram negócios pontuais voltados à fixação de custos. Os preços praticados atualmente estão abaixo dos níveis registrados no final de 2025, período em que houve maior fluidez de negócios. A atenção dos produtores segue concentrada na colheita da soja, com expectativa de retomada gradual das negociações de milho ao longo da segunda quinzena de fevereiro, à medida que as atividades de campo avancem.