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03/Feb/2026

Preços do milho continuam pressionados no Brasil

A liquidez interna no mercado de milho segue baixa. Os compradores priorizam o consumo de estoques negociados antecipadamente e realizam aquisições apenas de forma pontual, quando existe a necessidade de recompor estoques e/ou oportunidades a preços menores. Do lado da oferta, parte dos produtores com receio de novas desvalorizações e com necessidade de liberação de armazéns está mais flexível nos valores. No entanto, uma parcela dos vendedores acredita que, com a intensificação da colheita de soja, as dificuldades logísticas possam limitar as quedas nos preços e, com isso, já começam a reduzir a oferta, na intenção de conseguir patamares maiores nas próximas semanas. Tipicamente, a colheita da soja e a maior demanda por fretes para a oleaginosa chegam a sustentar os valores de milho durante as primeiras semanas do ano. No entanto, em 2026, um dos fatores que tem impedido reações nos preços é o fato de os estoques de milho estarem muito elevados.

São estimados em 12 milhões de toneladas neste início de temporada, contra 1,8 milhão de toneladas em 2025 e acima da média das últimas cinco safras, de 9,2 milhões de toneladas. Com isso, a média do Indicador ESALQ/BM&F (Campinas - SP) em janeiro/2026 está 2% abaixo da média de dezembro/2025 e 7% inferior à de janeiro/2025, em termos reais (valores deflacionados pelo IGP-DI de dezembro/2025). Nos últimos sete dias, especificamente, o Indicador ESALQ/BM&F registra recuo de 1,1%, cotado a R$ 65,96 por saca de 60 Kg. Nos últimos sete dias, as quedas são de 2,5% no mercado de balcão (preço pago ao produtor) e de 1,7% no mercado de lotes (negociação entre empresas). Na B3, os valores seguem em queda, influenciados pela entrada da safra de verão (1ª safra 2025/2026) na Região Sul do País e pela pressão compradora. O contrato Março/2026 apresenta desvalorização de 1,3% nos últimos sete dias, cotado a R$ 68,43 por saca de 60 Kg. Os contratos Maio/2026 e Jul/2026 estão cotados a R$ 68,15 por saca de 60 Kg e a R$ 67,33 por saca de 60 Kg, respectivamente, com quedas de 0,9% e de 0,4%.

A demanda no spot para exportação segue baixa, mas os embarques na parcial de janeiro/2026 já superam em 4% o volume de todo o mês de janeiro/2025. Nos primeiros 16 dias úteis de janeiro, o País exportou 3,74 milhões toneladas. De fevereiro/2025 a janeiro/2026 (parcial), as vendas externas somam 41,12 milhões de toneladas, acima das 38,5 milhões de toneladas da temporada anterior. No spot, os preços nos portos são pressionados pela desvalorização do dólar. Nos portos de Paranaguá (PR) e Santos (SP), as baixas são de respectivos 2,9% e 1%. As atenções seguem voltadas à colheita das lavouras da safra de verão (1ª safra 2025/2026) e à semeadura da 2ª safra de 2026. Até o dia 24 de janeiro, a colheita da safra de verão (1ª safra 2025/2026) chegou a 7,4% da área nacional, enquanto a semeadura da 2ª safra de 2026 totaliza 5,9%, respectivos aumentos semanais de 3% e de 5,1%, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). No Paraná, o Departamento de Economia Rural (Deral/Seab) aponta que 3% das lavouras da safra de verão (1ª safra 2025/2026) já haviam sido colhidas até o dia 26 de janeiro.

No Rio Grande do Sul, a colheita soma 28% da área, conforme indica a Emater-RS. Em Santa Catarina, até o dia 24 de janeiro, os trabalhos de campo totalizavam 4,6% da área estadual, segundo os dados da Conab. Para 2ª safra de 2026, a semeadura se concentra em quatro Estados: Mato Grosso, Paraná, Mato Grosso do Sul e Tocantins. Em Mato Grosso, os produtores se preocupam com as previsões de chuvas e com a possibilidade de atraso na semeadura na janela considerada ideal. Segundo o Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea), apesar do forte avanço na semana passada, passando de 2,79% para 7,76% da área total, as atividades ainda estão 1% atrasadas em relação às de 2025. No Paraná, a semeadura chegou a 6% da área até o dia 26 de janeiro. Em Mato Grosso do Sul e em Tocantins, a Conab indica que as áreas semeadas chegaram, até o dia 24 de janeiro, a 0,5% e a 5%, respectivamente. Na Argentina, 97,2% da área foi semeada até esta semana, segundo a Bolsa de Cereais de Buenos Aires. As chuvas em partes de Buenos Aires e Córdoba melhoraram as condições hídricas das lavouras.

Nos Estados Unidos, os preços futuros iniciaram a semana passada em queda, pressionados pela ampla oferta naquele país. No entanto, os contratos voltaram a avançar, impulsionados por preocupações com o clima quente e seco na Argentina, que pode afetar o desenvolvimento das lavouras, pela demanda internacional aquecida e pela intenção do governo norte-americano em aumentar as vendas de gasolina com 15% de etanol. Com isso, na Bolsa de Chicago, o vencimento Março/2026 registra avanço de 1,6% nos últimos sete dias, a US$ 4,30 por bushel. Os contratos Maio/2026 e Julho/2026 têm alta de 1,5% e 1,6% no mesmo período, indo para US$ 4,39 por bushel e US$ 4,45 por bushel, respectivamente. Fonte: Cepea. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.